São Paulo– Vaiada em Salvador, aclamada em São Paulo. A iniciativa de Daniela Mercury de introduzir batidas tecno em sua axé music gera polêmica até hoje e está longe de ganhar trégua: a cantora, precursora em divulgar o ritmo baiano em todo o país e no mundo, vai insistir na empreitada e levar um DJ para seus shows e para o trio elétrico que comandará no Carnaval de Salvador.
Daniela Mercury diz que insiste na introdução do tecno na sua música por gostar da batida. ‘‘Eu pesquiso a música eletrônica. As vertentes da música eletrônica são muitas’’, disse. ‘‘Estou trabalhando muito em pós-produção, querendo fazer uma mistura de música percussiva com eletrônica. Não estou trazendo uma música eletrônica pura em pleno Carnaval porque não é o ambiente ideal para algo tão estranho.’’
A seguir, a entrevista com a cantora que está lançando uma campanha pela paz para o Festival de Verão de Salvador, que vai de 30 de janeiro a 3 de fevereiro misturando vários ritmos, do axé ao rock:
O que você está preparando para tocar no Carnaval baiano deste ano?
O que estou fazendo é pegando a base eletrônica do DJ e colocando a percussão para cantar em cima. A intenção é criar um mestiço, como tudo nesta terra. Mas as experiências são maravilhosas. No primeiro ano, que teve vaia, não foi bem isso, foi o maior barato. Tem uma tribo ansiosa para ver este trio. Estou batalhando para fazer de novo o trio tecno. Acho que é um elemento diferente num Carnaval que já tem a característica da diversidade, um Carnaval que tem de afoxé a todo tipo de entidade na rua, cujo motivo para a gente estar na rua é se divertir, onde as pessoas são livres para se vestirem como quiserem e cantarem o que quiserem.
Mas você não tem medo de decepcionar de novo?
Eu estou mais livre do que nunca porque neste ano estou com um trio independente, não puxo mais bloco na avenida. Eu saí do meu próprio bloco. Sou a única que saí do meu próprio bloco, eu abandonei o meu bloco. Deixei meu bloco para o Ricardo Chaves puxar.
Seu novo disco traz uma mudança de perfil, tem músicas lentas, a regravação de ‘‘Mutante’’... e agora você está selando um compromisso com a paz para o Festival de Verão de 2002. Para o que você canta, pela paz?
Sempre canto pela paz, a gente sempre multiplica. Eu fiz o pôr-do-sol pela paz no dia mundial da paz, no ano passado e neste ano. A reflexão sobre a paz e o compromisso de se fazer a paz está no nosso dia-a-dia: ter mais tolerância, compreensão, no trânsito, no trabalho, quando a gente vai escrever algo... Tem de ter cuidado se aquilo estará se multiplicando; ter tolerância profissionalmente com tudo e com todos.

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