Daniela Mercury faz turnê na Europa
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sábado, 14 de janeiro de 2012
Fernanda Brambilla <br> Agência Estado 
São Paulo - Era 1992. O Brasil se acostumava aos ares da democracia. Na memória, ainda estava fresca a batalha dos caras-pintadas, o impeachment de Fernando Collor. Ressoou, então, uma batucada, acompanhada da voz afinada em ''O Canto da Cidade''. Daniela Mercury, na época aos 20 e poucos anos, bradava seu axé e mexia os longos cabelos ondulados. Virou hit. Abriu as portas para o gênero no cenário nacional. Alçou voos internacionais para a baiana. Regeu carnavais.
Quase 20 anos depois, Daniela acaba de voltar de mais uma turnê - dessa vez por Estados Unidos, Canadá e México. Por lá, teve ''receptividade 100%'' de seu projeto ''Canibália - Ritmos do Brasil'', que inclui CD e DVD, e está sendo lançado agora por aqui.
Canibália foi gravado na festa de réveillon de 2010, na praia de Copacabana, onde ela animou mais de um milhão de pessoas. Agora, as malas estão prontas para uma turnê pela Europa. Este mês, Portugal será sua primeira parada. ''Lá fora, sou livre, desprendida do mercado. Quem vai me ver não está preocupado se está na moda ou não. Aqui, sou sujeita ao que acontece ao gênero.''
Aos 46 anos, seu corpo de bailarina ainda tem tônus para aguentar o pique no palco, e seu trabalho continua solar, otimista. Resistentes ao tempo, ''Ilê Pérola Negra'', ''Rapunzel'' e ''Swing da Cor'' estão aí, a todo vapor, além de, é claro, ''O Canto da Cidade'', que segue igual só na aparência. ''O Canto abriu as portas, serviu para essa transformação de espírito. Hoje, continua sendo um hino de afirmação, mas tem outro sentido. Antes era a canção de um Brasil que se democratizava. Agora, toma o sentido de que aquele Brasil que a gente desejou está acontecendo. É um canto que festeja a maioridade do País.''
A postura politizada que lhe é padrão, aliás, parece dura para quem faz música tão alegre. ''Essa alegria não é superficial, é esperança. É vingança de quem tem herança de dor'', filosofa. Daniela é assim, profunda, e se arma quando vê seu gênero diminuído. ''Vejo o axé como gênero de MPB relacionado ao universo de verão, como a gente teve a vida inteira. Desde Carmen Miranda, Chiquinha Gonzaga e suas marchinhas, e mesmo Caetano e Gil, grandes artistas fizeram suas músicas vibrantes como o verão.''
Ao longo dessas duas décadas, ela diz que não perdeu o foco, e que o essencial é seguir criando. ''Olho esse trabalho e penso que valeu a pena. Tudo faz sentido. Quem diria que o brasileiro fosse querer carnaval o ano todo? Nesse país de dificuldades imensas, a gente precisa é de um momento para se fortalecer e oxigenar. Esse oxigênio é o carnaval.''
Serviço:
- Canibália - Ritmos do Brasil (Ao Vivo na Praia de Copacabana)
Cantora - Daniela Mercury
Gravadora - Som Livre
Preço sugerido - R$ 21,90 (CD) e R$ 29,90 (DVD)


