Daniel Senise abre exposição no Muma
DANIEL SENISE ABRE
EXPOSIÇÃO NO MUMA
DivulgaçãoA exposição de Daniel Senise em Curitiba reúne pela primeira vez 15 telas produzidas pelo artista na década de 90 e que estavam em coleções particularesO artista plástico carioca Daniel Senise abre hoje a exposição Anos 90 no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba
Simone Mattos
Um dos mais prestigiados artistas plásticos da arte contemporânea brasileira, o carioca Daniel Senise, está hoje em Curitiba. Ele irá inaugurar a sua exposição Anos 90, que reúne 15 telas produzidas na última década, além de lançar o livro Ela Que Não Está, que conta a história de sua carreira, desde o início dos anos 80.
As telas, que estarão expostas em Curitiba até o dia 31 de janeiro, pertencem a várias coleções particulares do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre e estão reunidas pela primeira vez. Elas falam da exaustão da imagem num mundo visual, da passagem do tempo e das fronteiras entre memória e realidade.
Suas pinturas têm origem nas imagens do cotidiano, em ilustrações populares e na História da Arte. Com elas, o artista busca resgatar princípios básicos da pintura.
Em sua opinião a imagem tem maior importância do que a pintura, o que o leva a usar poucas cores e poucas tintas em suas telas. Suas imagens fazem alusão a paisagens e são construídas a partir de camadas de diversos tipos de tecidos, resíduos e algumas tintas. Óxido de ferro, esmalte sintético e moldes de gesso sobre cretone também são técnicas utilizadas.
Seus questionamentos ficam claros nesta utilização constante de materiais estranhos à idéia tradicional de pintura. Com eles, suas telas organizam um território virtual, colorindo seu atelier e suas exposições com tons neutros, como cinza, branco, preto e marrom.
Para Daniel Senise, a base de seu trabalho está numa certa provocação para o olhar e o pensamento. O projeto do artista é resgatar o princípio perene da pintura, de mediadora entre o homem e a natureza, através de uma ótica contemporânea que inclui todas as conquistas do período moderno.
Mais do que pintura, o trabalho de Senise fala da imagem, que muitas vezes teria seu significado esgotado pela exposição excessiva. Sua indagação busca também várias possibilidades de representação bidimensional das imagens. Como resultado final, sua obra se traduz num dos processos mais originais da arte contemporânea brasileira.
Antes de se decidir pela pintura, Senise concluiu o curso de Engenharia e trabalhou como artista gráfico. Em 1982, passou a frequentar as aulas do Parque Lage, no Rio de Janeiro, mas só no ano seguinte optou definitivamente pelas artes plásticas.
Desde o início, sua carreira foi de grande sucesso. Em 1985, Senise participou pela primeira vez da Bienal, na mesma época em que conquistou seus primeiros prêmios expressivos, o que refletiu nas boas vendas de seus quadros. Rapidamente, ele se tornou um dos mais valorizados artistas da geração 80.
O livro Ela Que Não Está, que será lançado na abertura da exposição, tem texto da crítica inglesa Dawn Ades e relata a trajetória artística de Senise. A maioria dos trabalhos apresentados na obra foram feitos a partir de 1988, já que ele considera que foi a partir desta época que a sua pintura passou a formar um bloco mais consistente.
A obra de Daniel Senise já foi apresentada em alguns dos mais importantes eventos internacionais de arte, entre eles a Mostra de Arte Latino Americana, no Museu de Arte Moderna de Nova York (1990) e a Bienal de Veneza, na Itália (1996). Atualmente, Senise é um dos participantes da 24ª Bienal de São Paulo e atua como professor na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro.
A abertura da exposição do artista plástico Daniel Senise e o lançamento do livro Ela Que Não Está acontecerá nesta terça-feira, às 20 horas, no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (Avenida República Argentina 3430, Portão).





