O teatro Ópera de Arame faltou explodir na noite chuvosa de terça-feira passada, durante a gravação do programa ‘‘Noite de Gala’’, que vai ao ar hoje, às 21h30, pela CNT. O motivo de tanta euforia era o cantor Daniel, que trocou seu dia de folga para se apresentar em Curitiba. Embora superlotado, o teatro ainda assim não comportou todo o público que foi até o Pilarzinho. Cerca de 100 pessoas que não puderam entrar, ficaram no portão até o final do programa, na esperança de ver o astro.
Às cinco da tarde um grupo de fãs entoava o estribilho ‘‘Daniel, cadê você/ eu vim aqui/ só pra te ver’’, em frente ao Hotel Mabu, onde o moço havia se hospedado. Ele chegou no Ópera de Arame às 21h08, no exato momento em que a platéia em peso repetia o que havia se tornado espécie de palavra de ordem: ‘‘Daniel, cadê você...’’
O cantor subiu ao palco às 21h25 - e nos dois blocos seguintes as fãs não cansaram de gritar, cantar, jogar uma infinidade de presentes e cartas no palco, empunhar faixas, tirar fotos. Por ser véspera do aniversário do cantor - completou 30 anos no dia 9 - ganhou até bolo de uma senhora. ‘‘Noite de Gala’’ terminou com ‘‘Parabéns a Voc꒒, um enorme bolo e champanhe oferecidos pela produção do programa.
No trajeto de volta ao hotel, Daniel concedeu entrevista exclusiva à Folha2. Falou da carreira e da ausência do amigo João Paulo, morto em acidente de automóvel. Amanhã, dia 12, completa um ano de seu falecimento.
Comemorar aniversário no palco do Ópera de Arame teve algum diferencial?
A vida da gente é essa; vivemos na estrada, perante o público, os fãs que graças a Deus têm um carinho especial pela gente, e é lógico que é tudo diferente. Até o programa do qual participei hoje em si é diferente dos demais. Fiquei muito contente quando entrei no palco e tive aquela receptividade, aquele entusiasmo da platéia. Fico muito feliz e espero que nessa minha nova etapa, nessa nova trajetória possa retribuir esse amor, esse carinho que as pessoas dispensam à gente.
Você fala da emoção que o público lhe proporciona. Mas manifestações como esta você sempre tem...
Acontece que cada lugar é um lugar e cada palco é um palco. A gente sempre vai encontrar algo diferente. Aqui a maneira do povo recepcionar é excepcional; e isso vem desde a primeira vez em que aqui estivemos. Hoje teve bolo no palco e tudo o mais - e está chegando perto de uma época muito difícil que a gente passou um ano atrás. Tudo isso se junta e faz com que se transforme numa emoção muito forte que arrepia o corpo todo. Foi o que senti quando estava no palco.
Com todas essas boas emoções pode-se dizer que um ciclo de dor se acaba?
Não diria isso, se dissesse estaria mentindo. Mas a cada momento que a gente lembra - e a nossa vida é uma constante lembrança - a cada lugar que se chega, há sempre uma emoção diferente porque lembro de coisas diferentes que passamos juntos - eu e João Paulo - ao longo da vida.
Esse carinho todo que vem dos fãs ajuda a cicatrizar a ferida?
Ajuda. Se não fosse o público, os amigos, a família nada seria posssível. Se eu fosse sozinho tenho certeza absoluta que não voltaria ao palco, não voltaria à essa vida que sempre pedi a Deus.
Você comentou que nesta noite, quando estava no palco, sentiu que esta era mesmo a sua vida, sua missão. Alguma vez você duvidou disso?
Sem sombra de dúvidas. Quando tudo aconteceu (a morte de João Paulo) a minha única certeza era que tudo tinha acabado, que não existia mais por que seguir em frente. Mas com o passar do tempo tudo vai mudando, você vai criando uma força que vem não sei de onde, então você começa a ter consciência que a sua missão é essa, e que tudo tem um porquê na vida. Tudo tem uma razão de ser, e eu sou muito apegado a Deus. Tenho muita fé, muita força de vontade, muita seriedade. Amo fazer o que faço e respeito o público. Acho que é por isso que dá tudo certo e vamos seguindo em frente.
Em outubro você estréia um novo show no Olimpia. Poderia falar sobre ele?
A gente estréia no dia 15 de outubro. É uma nova temporada, uma nova etapa também. O show ainda não tem um título, o diretor será o Aloysio Vergey, que também dirigiu o anterior (‘‘Um Novo Tempo’’), e espero, através do espetáculo, passar tudo aquilo que sei: essa versatilidade que a gente tem de cantar desde a moda de viola até a música popular brasileira. Espero exigir muito de mim no show, se Deus quiser.
Você já tem algumas músicas-chave para o espetáculo?
Sim. Desse novo CD que acabo de lançar tem ‘‘Adoro Amar Voc꒒, ‘‘Pra Falar a Verdade’’, ‘‘Dengo’’, ‘‘Paixão Caipira’’, que tem participação muito especial do meu pai; ‘‘Declaração de Amor’’. Vamos procurar fazer uma coisa bem versátil, cantar sucessos de outros artistas também. Acho isso importante: deixar o show para cima e prender a atenção do público.
E o projeto de gravar música de raízes? Como pretende fazê-lo?
Eu e João Paulo tínhamos esse sonho há muito tempo, iríamos fazer esse projeto juntos. Infelizmente aconteceu tudo aquilo e agora não posso realizá-lo sozinho. Então terei que optar pela participação de outros artistas, com amigos, com o pessoal da antiga. Já conversei com vários deles que acharam uma idéia bonita. É um sonho que tenho e vou concretizar. Não é um trabalho normal de carreira, mas uma coisa paralela.
Esse projeto está em andamento?
Por enquanto não. Ele começa a ser elaborado a partir do ano que vem, porque quando íamos dar início à escolha do repertório, aconteceu a partida do João Paulo. Recentemente estive conversando com César e Paulinho, dupla que faz parte do contexto inicial da carreira da gente; com Pardinho da dupla Tião Carreiro e Pardinho; com Pedro Bento e Zé da Estrada. Gente de música de raiz mesmo.
Já deu para se acostumar com o sucesso?
Essa palavra é meio complexa para mim. Encararia mais como um reconhecimento mesmo; uma atenção do público devido a tudo que a gente fez até hoje e como se conduz a carreira. É um espaço que a gente conquistou no coração das pessoas e o carinho que tenho pelos fãs é uma coisa verdadeira, transparente. Não tem falsidade.ReproduçãoDaniel: participação no programa de Agnaldo Rayol levou grande público à gravação no Ópera de Arame, em CuritibaZeca Corrêa Leite

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