Dando a volta por cima
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de novembro de 2008
Mariana Trigo<br> TV Press 
Fábio Assunção parece pisar em ovos quando conversa sobre Heitor, seu protagonista em ''Negócio da China''. Distante das novelas desde que viveu o mocinho Daniel, em ''Paraíso Tropical'', no início deste ano, o ator passou por uma fase avessa ao perfil de seus personagens bom-moços. Foi flagrado pela polícia num flat com um traficante paulistano, que estava com drogas. Visivelmente tenso para não ser abordado sobre o assunto, o paulistano de 37 anos só relaxa mesmo quando reflete e avalia que sua carreira não foi abalada com os rumores negativos.
Na pele do acomodado mas apaixonado Heitor, Fábio se mostra absolutamente envolvido pelo personagem que faz um curioso par romântico com Lívia, de Grazi Massafera. Na história, o casal tem um filho de 11 anos, interpretado por Eike Duarte e, apesar de ainda ser apaixonado, se depara com uma série de fatores que os mantêm separados.
Antes de protagonizar ''Negócio da China'', você foi escalado para atuar em ''A Favorita'', chegou a fazer as primeiras leituras do texto, mas deixou a trama em seguida. O que aconteceu?
Deixei a novela porque precisava estar bem para fazer direito um personagem. Tem horas na vida que você não está disponível. Não vou entrar numa novela sem estar inteiro e nem fazer sem o nível de qualidade que considero mínimo, entendeu? Acho que só agora estou pronto para me entregar para um personagem.
O que o levou a aceitar o papel em ''Negócio da China''?
O Maurinho (diretor Mauro Mendonça Filho) e o (Roberto) Talma são meus amigos. O Talma me convidou de uma forma muito sedutora. Além disso, tinha curiosidade de fazer algum trabalho do Miguel. Era uma oportunidade de fazer comédia em um horário diferente. Estou amarradão!
Que características do personagem mais chamaram sua atenção?
O mais legal no Heitor é que ele é um cara comum. Tem humor também. Ele continua querendo a Lívia de volta e ela fica insegura. Isso sem falar no tom cômico das mães de ambos, superprotetoras, é divertido.
Quais referências você trouxe para esse mocinho, que também é meio mimado e acomodado?
O público quer ver conflito e verdade. Isso ele tem. Mas é um mocinho diferente dos outros que fiz. Não tem nenhuma ambição. Gosto do exemplo que o Miguel deu sobre essa relação com a Lívia, de uma tesoura que não corta, mas machuca. Também nunca tinha feito um personagem bairrista, que praticamente só grava em cidade cenográfica. Fazia mais papéis ricos, com muitas cenas de estúdio.
Você e a Grazi tiveram de regravar várias cenas do início da trama. Como você lidou com isso?
Regravei apenas duas cenas com ela. Esse começo é difícil. A gente tem de achar um tom e já existe uma expectativa grande pelo horário. Acho que regravar não é sinal de uma coisa ruim. Pelo contrário. É a busca de uma perfeição, de uma superação. Encarei isso de forma positiva.
Existe uma cobrança grande com a Grazi, por viver a primeira protagonista. De que forma isso interfere no seu trabalho?
Estou adorando trabalhar com ela. Acabei de conhecê-la, mas ela tem uma luz muito positiva, um riso verdadeiro, uma vontade de fazer bem e de arrebentar. Na minha opinião, ela está mandando muito bem. Ela tem tudo para ser uma grande estrela.
O público até se interessou pela novela na estréia, que deu média de 30 pontos. Mas os números caíram nos capítulos seguintes. Esta audiência do horário das seis assusta você, que normalmente atua mais em tramas das oito, com números bem maiores?
A gente fica torcendo para ser o maior sucesso. Moro em São Paulo e sei o quanto é difícil estar em casa às seis da tarde. Queremos não só manter o público que já existe, como trazer outras pessoas. Esse é o objetivo da Globo ao levar o Miguel para esse horário.
Com 18 anos de carreira e vários protagonistas, o que leva você a aceitar um convite para um papel?
Cada trabalho tem uma aura e uma cor que precisam me agradar. Tem pessoas que não me instigam e aí não me interessa muito, mesmo que sejam grandes atores. Acho mais legal estar num elenco divertido, com um amigo dirigindo, onde o trabalho seja mais familiar.
Você teve uma série de problemas com drogas recentemente e, há pouco tempo, foi convidado para o programa ''Mais Você'', da Ana Maria Braga, mas faltou a primeira vez. Na segunda, avisou dizendo que não iria. O que houve?
Não queria falar sobre isso. Já foi.


