Dança sem fronteiras
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sexta-feira, 08 de outubro de 2010
Nelson Sato<BR>Reportagem Local 
O Calçadão será o palco de abertura da programação de hoje do 8º Festival de Dança de Londrina. Ali, ao meio-dia, o grupo Sansey mostra um pouco da cultura oriental executando duas coreografias de Yosakoi Soran, dança japonesa que mistura tradição e modernidade.
Um dos números garantiu o título de pentacampeão aos londrinenses no último festival nacional da modalidade, realizado em julho, em São Paulo. Logo após a atração nipônica, os batuques brasileiros tomam conta do espaço com um show de percussão do grupo L.A.T.A, que desenvolve estudos de ritmos como baião, coco, maracatu e maculelê.
À noite, mais um grupo da cidade entra em cena, desta vez no Teatro Ouro Verde. A Cia e Escola de Dança Flamenca Michel Cássin sobe ao palco às 20h30 com o espetáculo ''Taconeos'', que estreou no ano passado. A proposta, de acordo com o coreógrafo Michel Cássin, é ''convidar a plateia a desvendar a alma de um bailarino de flamenco'', que é representada através dos ''compás'' - ritmos executados com guitarras e cajons e acompanhados de cantorias de dor e alegria.
Na montagem, os movimentos exploram desde novas leituras das clássicas danças sevilhanas até a execução de músicas modernas com marcações de tambores. Tudo isso mesclado com muitas castanholas, palmas e jaleos.
A programação de amanhã destaca a bailarina e coreógrafa paulistana Mariana Muniz, que traz a linguagem da dança-teatro ao festival com seu espetáculo-solo ''Speranza! Dona Esperança''. A montagem será apresentada às 20h30 no Teatro Ouro Verde e presta um tributo à Ruth Rachou, pioneira da dança moderna no Brasil.
A obra inspira-se numa releitura da personagem que a artista homenageada interpretou no espetáculo ''Sonho de Valsa'', levado aos palcos em 1979. Dirigida por José Possi Neto, Mariana expõe um painel de sensações ao encarnar uma mulher comum, simples, dona de casa, solitária, mas sonhadora.
A coreografia levanta discussões sobre as transformações corporais, a repetição de reflexos e gestos automatizados; e a experimentação de movimentos expressivos da dança contemporânea. Também atriz, Mariana foi finalista do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo deste ano por sua atuação na peça ''O Fantástico Reparador de Feridas''.
Na segunda-feira, mais dois espetáculos aguardados movimentam o festival: ''Vazio das Partes'', com a Cia de Dança Experimentações Cênicas, de Santa Catarina, e ''Tablao'', com a Cia Flamenco Del Puerto, de Porto Alegre (RS). O primeiro será apresentado às 19 horas no Teatro Zaqueu de Melo. A montagem, criada pela coreógrafa Elke Siedler, já foi descrita como ''um grande passeio sobre esta grande imensidão do ser humano, sua busca pela perfeição, pelo ter, pelas frustrações, medos e ansiedades''.
A trupe gaúcha, por sua vez, tenta transportar o ambiente dos tablados flamencos do sul da Espanha ao palco do Teatro Ouro Verde, onde se apresenta às 20h30. ''Tablao'' estreou em 2008 e, de lá para cá, conquistou diversos prêmios: Melhor Espetáculo, Melhor Bailarina, Troféu RBS Cultura de Melhor Espetáculo, além de indicações de Melhor Trilha Sonora e Melhor Iluminação.
Fundado pela bailarina e coreógrafa Andrea del Puerto, o grupo iniciou sua atuação como companhia de dança e música flamenca em 2001. Desde então, já realizou seis espetáculos. Além de suas montagens, o grupo também mantém os projetos ''Cultura na Escola'' e ''Encuentros', realizados em sua própria sede.
SERVIÇO
Confira a programação completa no site www.festivaldedancadelondrina.art.br. Os ingressos estão à venda na Escola Municipal de Dança (Pio XII, 56), Shop Ballet (Pio XII, 64, loja 3) e loja Capézio (Paranaguá, 921, loja 3). Mais informações pelo (43) 3322-6381.


