Dança para embalar a vida
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de julho de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha<br> 
Cascavel - Entre as principais atrações do 13º Festival de Dança de Cascavel, que será realizado até 06 de julho, está o curso de dança especial para surdos e professores de alunos portadores de deficiência auditiva, que teve início ontem, com a coordenação da professora Maria Auxiliadora Gonçalves, a Dorinha. Durante a semana, um grupo de 30 alunos da Associação Cascavelense de Deficientes Auditivos (Acas) estará participando das aulas.
De acordo com Dorinha, o seu trabalho consiste em ensinar professores que desenvolvem atividades com deficientes com surdez profunda. São aquelas pessoas que não ouvem nada, apenas possuem resíduos de audição que, se estimulados, podem aprender a dançar e, ao mesmo tempo, melhorar sua performance no cotidiano, diz.
A professora conta que a técnica consiste em desenvolver a percepção através da vibração. Nós, seres humanos, possuímos duas vias de audição. A aérea, da pessoa normal, sem deficiência, e óssea, via utilizada pelos deficientes, pois neste caso nosso corpo funciona como uma caixa de ressonância, explica.
Ainda de acordo com Dorinha, a captação das vibrações é feita pelo som dos instrumentos de percussão. Antes disso, é feito um trabalho de compreensão com estudo da letra da música, mímica, histórias em quadrinhos e desenhos. Depois, o surdo é estimulado pelas vibrações da música e aprende a dançar, ressalta.
A dança de salão é utilizada pelo seu caráter lúdico e social de aproximação das pessoas. A dança, além de ser uma atividade lúdica, provoca a troca de estímulos e a integração social. Aqui ou na China, a música e a dança, terão o mesmo efeito, vão despertar o mesmo sentimento, quer numa pessoa normal ou no deficiente, observa.
Dorinha é professora de dança de salão do Centro de Dança Jaime Arôxa, professora de Ensino de I e II graus , especializada em desenvolvimento da linguagem oral e corporal de surdos do INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos). Há 12 anos, ela desenvolve atividade pioneira de ensino de dança de salão aos alunos do INES através do Projeto Dançando o Silêncio.
Além do curso para deficientes auditivos, durante o Festival de Dança de Cascavel, serão realizadas apresentações dos 66 grupos participantes, e ministrados nove cursos: danças de salão, jazz, ballet clássico, de repertório, dança moderna, contemporânea, dança de rua, iluminação e cenografia. Os grupos participantes das competições são na maioria do Paraná, outros de São Paulo, Santa Catarina e do Paraguai.


