Dança para descobrir a identidade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de abril de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Negro se descobre negro e só depois é negro. É nessa encruzilhada do pensamento e da reflexão sobre a cultura afro-brasileira que está a dança e a pesquisa de Sandra Mascarenhas. Para a dançarina, os brasileiros ainda nascem e crescem como colonizados e, aos poucos, reconhecem a própria identidade.
''Quando cheguei na Europa, eu vi o quanto é importante essa face do meu trabalho. Tanto em Florianólis, onde criei o Grupo Espaço Omalagô, e em Amsterdã, levei uma dança que não esperavam. Somente conheciam samba de sapato alto. Queriam que eu apresentasse samba. Aí vi que através dessa dança poderia quebrar o estereótipo. Então disse que faria samba de pé descalço, de raiz e roda'', conta Sandra, criadora do grupo pioneiro em vivência e pesquisa de cultura afro-brasileira.
Com uma carreira de quase 20 anos, a dançarina que chegou a morar em Londrina, realiza o workshop ''Dança Iná - O Fogo de Cada Um'' nos dias 7 e 9, na Vila Cultural Alma Brasil, e também vai dar curso para os alunos de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A mato-grossense une no terreiro de sua arte os movimentos fortes e vibrantes da dança de Xangô, o orixá do fogo e da justiça, ao bugarabu, instrumento e dança da região de Casamance, em Senegâmbia, realizada para celebrar a colheita de arroz.
Para colher os frutos da cultura afro, Sandra mergulhou no teatro antropológico de Eugenio Barba, participando em 1994, em Londrina, e, em 1995, na Suécia, da IX e X Escola Internacional de Antropologia Teatral (Ista), criado pelo diretor.
Um contato que a colocou de frente com o etnomusicólogo e percussionista Fayee Diona, que a levou para a dança do bugarabu. O Ista fez a teoria e a prática caminharem juntas no trabalho da dançarina.
O workshop de Sandra é uma experiência livre, deixando escapar a autoridade interna de cada participante. Ela ressalta que os brasileiros ainda não têm orgulho das raízes africanas e indígenas. As políticas afirmativas estão ajudando a mudar essa visão: ''A dança é um bom viés para a gente tratar do assunto''.
SERVIÇO
- Dança de Iná - O Fogo de Cada Um - com Sandra Mascarenhas
Quando - Hoje e dia 9, das 14h às 17h ou das 19h às 21h30
Onde - Vila Cultural Alma Brasil (R. Mar del Plata, 93), em Londrina
Quanto - R$ 50
Mais informações e inscrições - (43) 3326-2672


