Dança para deficientes físicos
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Simone Mattos 
Roberto Reitenbach/DivulgaçãoA coreografia pode ser executada em cadeiras de rodas giratórias ou sobre skatesQueixos caídos, olhos arregalados e mãos que aplaudem sem parar. Esta é a reação unânime da platéia quando a Limites Cia. de Dança se apresenta em palcos brasileiros e internacionais. Criada em 1992, a companhia conta com 12 bailarinos, sendo oito portadores de deficiências físicas. Após 52 apresentações em várias partes do mundo, a Limite prova que não há limites para adança e acaba de conquistar o apoio do Centro Cultural Teatro Guaíra, em Curitiba.
A limitação de um membro do corpo é superada por muita criatividade, explica a bailarina e fisioterapeuta Andréa Sério, professora da companhia. Se o bailarino deficiente não pode dar saltos ou girar sobre os pés, ele cria o movimento com outra parte do corpo.
É aí que surgem as coreografias ousadas e inéditas que o grupo apresenta. Num trabalho moderno, idéias e sentimentos podem ser traduzidos em movimentos na vertical, em rodas ou no ar, com o uso de cordas. A coreografia pode ser executada em cadeiras giratórias, de rodas ou skates, os mesmos usados por adolescentes em ruas de qualquer cidade.
A história começou há seis anos, quando Andréa fez uma palestra na Associação dos Deficientes Físicos do Paraná e conseguiu sensibilizar algumas pessoas para a possibilidade de praticarem a dança.
Uma das adeptas das aulas, a técnica em informática Cláudia Fantin, que possui deficiência física, confessou que sentiu medo no começo, quando não tinha certeza do que era capaz. Não passa pela cabeça das pessoas o que podemos fazer e os resultados são gratificantes, explicou.
As aulas, que acontecem de segunda à sexta à noite, passam agora a contar com toda a estrutura da Escola de Danças Clássicas do Teatro Guaíra. O que significa que estão trocando uma modesta sala na Associação dos Deficientes Físicos por um local adequado, com espelhos, barras e piso apropriado.
O Guaíra também coloca à disposição da companhia figurinistas e sonoplastas, além da possibilidade de convivio com bailarinos profissionais, num ambiente totalmente voltado à dança. Um espetáculo no Guairão é o sonho da companhia e está cada vez mais próximo.
Para o grupo, esta significa mais uma entre outras tantas vitórias que já conquistou. Em 93, por exemplo, a companhia se apresentou no Festival de Danças de Joinvile, até então fechado aos deficientes. Na sequência foi convidado para representar o Brasil no Very Special Arts, um festival realizado em Washington (EUA). Em seguida, a companhia participou do Festival de Dança em Boston, numa apresentação que foi elogiada pela crítica norte-americana.


