A integração de diversas linguagens de música e dança é o ponto de partida de um projeto/espetáculo que começa a ser desenvolvido esta semana no Festival Internacional de Londrina. Bailarinas, capoeiristas, músicos e membros de uma comunidade indígena estarão reunidos num projeto de descobrimento, integração, mestiçagem e aldeia global, que resultará na montagem do espetáculo ‘‘Al Descubierto’’, coordenada pelo diretor espanhol Juan Eduardo Lopez.
A partida para esta ‘‘viagem de descobrimento’’ será uma mostra da dança e da cultura de cada um dos quatro segmentos envolvidos. Juan Lopez, que é integrante do projeto Cidades que Dançam e do grupo espanhol Marató, diz que a idéia de desenvolver no Filo uma proposta mais contemporânea para este projeto surgiu em sua estada de dois meses em Trancoso, na Bahia. Exatamente no período que abrangeu as comemorações dos 500 Anos do descobrimento do Brasil.
O diretor detalha que escolheu diferentes culturas que formam o Brasil para trabalhar a integração de elementos do descobrimento. Para isso, convidou sete bailarinas de diferentes países para participar do projeto. ‘‘Elas não se conheciam e estão se encontrando pela primeira vez em Londrina. Também vão fazer viagens de descobrimento.’’
As ‘‘sete maravilhas da dança’’, como brinca o diretor, vêm da Espanha (Sol Picó), da Argentina (Constanza Macras), de Portugal (Sara Vaz), do Canadá (Lesly Starr), da Itália (Maria Tulia Pedotti), de Cuba (Sandra Ramy Aparicio) e, claro, do Brasil (Francine Santos da Silva – londrinense que integra o elenco da Trupe Cia. de Dança). ‘‘Essas bailarinas têm muita personalidade e força, de forma bem particular’’, observa.
Também de Londrina estão sendo convidados capoeiristas do Grupo Maculelê, índios da Reserva Apucaraninha, além de músicos percussionistas. ‘‘Teremos duas semanas para criar uma história que ainda estamos vivendo’’, antecipa Lopez.
A música será especialmente criada para ‘‘Al Descubierto’’, sob a direção do brasileiro Rogério de Souza, percussionista baiano que atualmente desenvolve seu trabalho em Madrid. A idéia, segundo ele, é apresentar uma mistura de estilos.
Imaginação, cumplicidade e provocação são elementos-chave da concepção deste projeto, argumento o diretor. ‘‘Cada um há de propor um jogo, mostrando a cultura que trazem para o trabalho, tanto na dança como na música.’’ ‘‘Al Descubierto’’ é o que Juan Lopez define como uma aventura. ‘‘Uma louca aventura, em se tratando de tão pouco tempo.’’
O espetáculo será montado em duas etapas. A criação, de acordo com o diretor, necessita de um período de concentração, que será realizado em ambiente fechado durante cinco dias. A experiência nas ruas começa em seguida.
Nesta etapa, uma grande coreografia estará interferindo na paisagem da cidade. ‘‘Buscaremos a cumplicidade do público, que está acostumado a olhar de determinada maneira a paisagem urbana. O grupo criará emoção neste espectador ao buscar espaços arquitetonicamente e dar emoções a paredes e ruas.’’
Para a apresentação prevista para o dia 28, Juan Lopes antecipa que as bailarinas sairão de locais diferentes da cidade e se encontrarão no local em que será realizada a outra parte do espetáculo. A idéia é como a de um sonho: chegar onde se deseja. O público terá participação nessa busca. ‘‘A aventura é atrativa. Basta saber se chegaremos a um porto seguro ou não’’, finaliza o diretor.
Ficha técnica: ‘‘Al Descubierto’’, projeto de dança em paisagens urbanas. Direção: Juan Eduardo Lopez. Bailarinas: Sol Picó (Espanha), Constanza Macras (Argentina), Sara Vaz (Portugal), Lesly Starr (Canadá), Maria Tulia Pedrotti (Itália), Sandra Aparicio (Cuba), Francine Santos da Silva (Brasil). Direção musical: Rogério de Souza (Brasil). Participação: Grupo de Capoeira Maculelê e membros da Reserva Indígena Apucaraninha.

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