Dança e cinema marcam fim de semana cultural em Londrina
Festival de Dança encerra programação no Ouro Verde, enquanto Kinoarte segue com programação das sessões gratuitas no Cine Villa Rica
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segunda-feira, 02 de novembro de 2026
Festival de Dança encerra programação no Ouro Verde, enquanto Kinoarte segue com programação das sessões gratuitas no Cine Villa Rica

O encerramento do Festival de Dança e a abertura do 28º Festival Kinoarte de Cinema dividiram a agenda cultural de Londrina no fim de semana. Entre sexta-feira (30) e sábado (31), o Teatro Ouro Verde recebeu as últimas atrações da dança, enquanto o Cine Villa Rica iniciou uma programação gratuita que segue até 8 de novembro. Nesta segunda-feira (2), feriado de Finados, as sessões continuam da tarde à noite.
A dança fechou uma edição iniciada em 23 de outubro. Na sexta-feira, “Do cavalo nada sabemos” levou João Paulo Lorenzon ao Ouro Verde, com direção de Denise Stoklos e Alessandra Maestrini. A montagem parte do relato de um encontro do filósofo Friedrich Nietzsche com um cavalo que sofria maus-tratos para tratar de violência, culpa e possibilidades de reparação.
No sábado, a discussão sobre as histórias contadas pela dança ocupou o hall do teatro. Na conferência “Dançar para contar outras histórias”, o crítico e professor Henrique Rochelle abordou as narrativas que receberam reconhecimento e aquelas que ainda precisam ser ouvidas. A atividade teve entrada gratuita e mediação do curador Renato Forin Jr.
O encerramento, na noite de sábado, coube à filósofa, poeta e psicanalista Viviane Mosé, com “Um sim à vida”. O espetáculo reúne teatro, filosofia, poesia e dança e relaciona a reflexão sobre a existência à trajetória pessoal da autora. A criação aproxima dois de seus livros, “A espécie que sabe” e “Meu braço esquerdo”.

A abertura do Kinoarte também recorreu à apresentação ao vivo. Na sexta-feira, o curta “Sombria”, de Rodrigo Grota, foi exibido com sonorização do Mege, Grupo de Estudo de Música Experimental. A sessão incluiu ainda “Helena”, de Gui Rodrigues, da Competitiva Londrinense, e o longa “Yellow Cake”, de Tiago Melo.
No sábado e no domingo (1º), o festival exibiu os quatro episódios de “Caravelle 114”, de William Biagioli, na primeira inclusão de uma série em sua programação. O sábado reuniu também o longa “O Mez da Grippe”, do mesmo diretor, e “Honestino”, de Aurélio Michiles, além das mostras competitivas de curtas.
A programação de domingo abriu espaço para trajetórias ligadas às artes. “Viva Marília”, de Zelito Viana, apresentou a atriz Marília Pêra. Já “Mistura Fina – Apolo 80 anos”, de Marquinho Gomes, voltou o olhar para Apolo Theodoro, que chegou a Londrina em 1955, aos 10 anos, e construiu uma trajetória no futebol, no teatro e no jornalismo.
Nesta segunda-feira, as sessões começam às 15h, com a animação “Papaya”, de Priscilla Kellen, e a Sessão Apoena, que reúne sete curtas realizados por estudantes da escola. Às 18h, a Mostra Universitária apresenta 11 filmes de alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e do Centro Universitário Filadélfia (Unifil).
A dança aparece também na história de “Feito Pipa”, atração das 20h30. Dirigido por Allan Deberton, o longa acompanha Gugu, um menino apaixonado por futebol e dança que vive com a avó no Ceará e enfrenta a possibilidade de passar a morar com o pai. O filme foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação a Melhor Filme Internacional no Oscar de 2027.

Antes do longa, serão exibidos “Memória em Projeção: Um Documentário Sobre o Festival Kinoarte de Cinema”, de Rafaela Morais, às 20h, e “Boca de Tudo”, de Nanjilè e Thyago Mumu, às 20h20. As sessões acontecem no Cine Villa Rica, na Rua Piauí, 211, com entrada gratuita. Ao longo dos dez dias, a programação do Kinoarte reúne 83 títulos, entre curtas, longas e episódios de série.
'Assalto à Brasileira'
"Assalto à Brasileira" tem sessões antecipadas na cidade até esta segunda-feira (2), antes da estreia nacional, marcada para quinta-feira (5). Dirigido por José Eduardo Belmonte, o filme leva às telas o assalto à agência do Banestado, ocorrido em 10 de dezembro de 1987.
Na trama, Murilo Benício interpreta Paulo, um jornalista recém-demitido que se vê no meio do roubo e identifica a possibilidade de conseguir um furo de reportagem. Ele passa a intermediar as negociações entre os assaltantes Moreno, vivido por Christian Malheiros, e Barba, personagem de Robson Nunes, e as autoridades. Paulo Miklos interpreta o policial Fonseca.

As filmagens utilizaram o Calçadão e o prédio da Folha de Londrina. A produção devolve aos moradores imagens de locais conhecidos ao reconstituir um episódio que mobilizou a cidade na década de 1980.
O longa conquistou três prêmios no Festival de Brasília: ator, para Benício; ator coadjuvante, para Malheiros; e filme pelo júri popular. Os horários das sessões antecipadas e os ingressos devem ser consultados na programação dos cinemas de Londrina.


Patrícia Maria Alves
Jornalista


