Dança das cadeiras
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de dezembro de 2010
Márcio Maio<br> TV Press 
A substituição emergencial de Fábio Assunção e Ana Paula Arósio por Gabriel Braga Nunes e Paola Oliveira em ''Insensato Coração'', próxima novela das oito da Globo chama a atenção dos critérios e das dificuldades na escolha dos atores principais de um folhetim.
Vários fatores se destacam nessa seleção. Mas, segundo profissionais envolvidos, o talento artístico, é claro, e, principalmente, a adequação ao personagem são os que mais importam na hora de definir os intérpretes dos papéis em uma história. ''A faixa etária, química com par romântico e o equilíbrio com o núcleo familiar são pontos decisivos quando se opta por uma pessoa que já tem experiência na tevê. Já para iniciantes, é preciso que eles comprovem a compreensão do texto'', opina Ricardo Linhares, que escreve ''Insensato Coração'' com Gilberto Braga.
A decisão, além de difícil, envolve três pilares de destaque na estrutura de uma novela: autoria, direção e produção de elenco. E nem sempre é fácil encontrar o equilíbrio entre eles. Principalmente entre autor e diretor. ''A opinião de quem escreve é essencial, já que foi essa pessoa quem idealizou o personagem'', frisa Tiago Santiago, que anunciou há poucas semanas a atriz Graziella Schmitt como a mocinha Maria Paixão de ''Amor e Revolução'', próxima trama do autor no SBT.
Mesmo assim, há quem prefira dar à direção uma liberdade maior nessa hora, para evitar problemas futuros. ''O autor pode até pensar em alguém na hora de escrever um personagem, mas é o diretor quem vai trabalhar com o elenco no dia a dia'', justifica Duca Rachid, que escreve com Thelma Guedes a novela que substituirá ''Araguaia'' no horário das 18 horas a partir de abril, na Globo. A trama será protagonizada por Bianca Bin, a romântica Fátima de ''Passione'', escalada depois que Paola Oliveira foi remanejada do projeto.
Formar o elenco de uma novela envolve, inclusive, questões intuitivas. Essa é a opinião de Jayme Monjardim, que lançou Larissa Maciel e Mateus Solano na minissérie ''Maysa - Quando Fala o Coração'' e escalou o rapaz novamente, poucos meses depois, para interpretar os gêmeos Jorge e Miguel em ''Viver a Vida'', de Manoel Carlos. ''O Brasil é um grande celeiro de atores. Eu e Maneco gostamos de aproveitar isso. O Mateus foi uma ótima surpresa, mas já esperávamos porque ele tem características interessantes como ator e experiência grande no teatro'', diz Jayme.
E descobrir um ator apto a ser mocinho é algo quase invejável nesse meio. ''Temos falta de galãs românticos no mercado. É complicado achar quem preencha certos requisitos de beleza e porte'', sinaliza Alexandre Avancini, diretor da Record.


