Dança clássica relê Bach entre o céu e o inferno
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de abril de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
A genialidade do músico Johann Sebastian Bach encontra-se com os poemas de um de seus contemporâneos, o escritor alemão Andreas Gryphius, em espetáculo que reflete sobre o céu, o purgatório e o inferno com um verniz tupiniquim. A proposta de dança clássica e neoclássica do grupo Ícaro Cia. de Dança, sucesso já há dois anos em turnê pelo País, chega hoje pela primeira vez ao Paraná, em apresentações no final de semana curitibano.
''Bach Barock Brasilien'' parte dos poemas de Gryphius e usa as composições de Bach para ilustrar um amplo espectro de emoções em três cenários, o inferno, o purgatório e céu. ''A montagem partiu do compositor. Comecei a procurar algo que combinasse e encontrei os poemas de Gryphius, foi uma escolha natural. Depois encontramos músicas que pudessem encaixar com os poemas'', conta Flávio Roberto Andrade Freitas, produtor do espetáculo. ''A música de Bach combina com os três poemas de Gryphius porque eles são contemporâneos, da época do barroco, e o escritor era um monge que escrevia sobre as coisas dessa época'', complementa.
O espetáculo é ambientado em uma igreja e o primeiro cenário é o inferno. ''É sobre a evolução do ser humano. No inferno, os bailarinos dançam mostrando sentimentos mais negativos; há um momento em que dançam como se estivessem com uma obsessão doentia de aprisionar. No purgatório, mostramos o sentimento da amizade, do envolvimento de duas pessoas, da cumplicidade e de nostalgia. Já no céu, o ser humano está mais pleno, elevado espiritualmente, é tudo mais alegre'', explica Glauco Fernando, coreógrafo da companhia. A cena inicial usa a famosa Tocata e Fuga em Ré Menor, de Bach. ''É uma música de órgão para igreja bastante dramática e conhecida. Todas as músicas buscam essa carga dramática'', comenta Flávio.
A montagem estreou em agosto de 2008, e desde então vem lotando os espaços por onde passa, como fez em São Paulo, Uberlândia, Brasília e Rio de Janeiro. O espetáculo demorou oito meses para ser concebido e conta com dez bailarinos. Além das referências à arte barroca, à música de Bach e ao trabalho de seu contemporâneo alemão Gryphius, uma das preocupações da companhia é fazer uma conexão com o Brasil.
''Muita gente sabe que Bach é inspiração para muitos músicos da música popular brasileira. Então quisemos fazer uma 'ponte' entre Bach e os músicos contemporâneos'', diz Glauco. Ao final do espetáculo, os bailarinos dançam ''Jesus, Alegria dos Homens'', com letra de Vinícius de Moraes.
Serviço -
''Bach Barock Brasilien''.
Quando:hoje e amanhã, às 21h; domingo, às 19h.
Onde: no Teatro da Caixa (R. Conselheiro Laurindo, 280), em Curitiba.
Quanto: R$ 10 e R$ 5.
Classificação etária: livre
www.caixa.gov.br/caixacultural.


