DANÇA 'Cisne' cheio de cordas
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de junho de 2005
Helio Levenstein<br> Agência Agência 
A nova coreografia do Cisne Negro, assinada por Rui Moreira, parte da evolução da viola na História para discutir um tema tão explorado quanto complicado: o tempo. 'C/ Cordas' se inicia na origem do instrumento, com os mouros, em Portugal, e chega até a sua difusão nos meios rural e urbano do Brasil. A estréia nacional aconteceu ontem, no Teatro Municipal de São Paulo.
Mas se a primeira impressão é de que se trata de um espetáculo muito abstrato, Rui Moreira dá uma pista. ''Sem nenhum tipo de preconceito, 'C/ Cordas' é uma coreografia com um aspecto pop muito forte'', conta. Ele conta ainda que a dança tem um certo desenrolar de fácil identificação com o povo brasileiro. Apesar do caráter pop, Rui relata a dificuldade de transitar pela fina linha que divide o erudito do popular. ''O grande desafio foi colocar um assunto baseado nas tradições quase folclóricas brasileiras em um instrumento erudito, que são os corpos dos bailarinos do Cisne Negro e a dança contemporânea. Pretendi adequar a tradição nacional no universo acadêmico''. Os figurinos e a cenografia são de André Cortez.
Completando a apresentação, o Cisne Negro exibiu 'Além da Pele', do francês Patrick Delcroix, que foi criada especialmente para a companhia.
A coreografia busca a compreensão do fenômeno das várias personalidades que podemos assumir além da pele. Nas palavras do francês, a dança se traduz de maneira simples: 'somos a nossa própria imaginação'.
Hoje, excepcionalmente, deixamos de publicar a coluna ''HQ'' de Claudio Yuge.


