Curitiba - Tudo que reluz é plástico no novo espetáculo da companhia Verve Companhia de Dança, de Campo Mourão. Depois de conquistar palcos e platéias com temas que mostravam essencialmente características da cultura brasileira, como em ''Truveja pra nóis chorá'' e ''Gambiarra'', o diretor e coreógrafo da companhia, Fernando Nunes adota um estilo mais universal. Há um ano, vem ensaiando ''(C2h4)n -Plástico'', que tem estréia nacional hoje, em Curitiba.
O espetáculo mescla a dança com a tecnologia. Leva ao palco câmeras que filmam e projetam os movimentos de sete bailarinos em tempo real, além de um sistema de som utilizado até então apenas no cinema. Para explicar essa fusão de tendências, cada vez mais comuns nos palcos, Nunes é categórico: ''É necessário. Minha função é conectar as pessoas com o mundo''.
Por isso escolheu a temática para seu mais recente trabalho. ''Olhe em volta e diga quantos materiais feitos de plásticos você vê'', diz. E foi olhando ao redor, durante um ensaio da companhia no ano passado, que Nunes decidiu referenciar o material. Para ele, o plástico é fundamental na compreensão da ambição humana. ''Ele contempla todos as funções, há o lado bom, o lado prático, o lado brega'', enumera.
A idéia de uma material moldável, que faz parte da condição humana, também estimulou a escolha do diretor. ''É impossível pensar na vida moderna sem o plástico'', diz Nunes ressaltando o aspecto funcional do produto. ''Acho que todos queremos ser uma garrafa pet'', brinca.
Para acompanhar a coreografia criada sobre o tema, Nunes optou por adotar uma trilha sonora original, composta pelo músico inglês Chris Vine. Há um ano no Brasil, o músico desenvolve diversas parcerias com bandas da Europa e América do Norte. Além da Verve compõe também para a companhia de dança inglesa ''Earthfall''. Para criação da trilha de ''Plástico'' adotou um moderno sistema de som, o 5.1, utilizado com mais frequencia no cinema. O resultado, atesta o diretor da companhia, é que se pode ''ver'' o som.
A escolha vai ao encontro das novidades tecnológicas adotadas pela companhia no espetáculo. O projeto final de ''(C2h4)n'' prevê, além do espetáculo, um site, DVD e um livro. Este dois últimos ainda estão em fase de finalização e captação pela Lei Rouanet. Eles são fundamentais para completar o processo de pesquisa do diretor da companhia. ''Na verdade é uma extensão da pesquisa, já que os trabalhos não se encerram na coreografia.''
O DVD e o livro vão mostrar os processos de criação e ensaio da peça. O site www.verve.art.br/plástico já adianta parte do material. Traz fotos dos ensaios de sete horas diárias da companhia e explica como surgiu o projeto. ''A Verve pretende vislumbrar possibilidades estéticas e conceituais deste polímero, criando conexões e discutindo sobre um possível 'pensamento plástico' e o poder de sua influência no comportamento humano'', reproduz o site.
A Verve Companhia de Dança foi criada em 1995 por Nunes, que além de coreógrafo, também é designer, artista plástico e fotógrafo. Além dele, o núcleo de criação coreográfica é formado por Mariusa Bregoli e Moacir Coletto, também bailarinos.
A companhia estreou em 1997 com ''Terral'', coletânea de coreografias desenvolvidas a partir de 1995. Em 1999, a Verve estreou ''Truveja Pra Nóis Chorá'' , responsável pela projeção da companhia e pelas turnês pelo Brasil, Argentina e Colômbia. Em 2001, lança ''Gambiarra'', mostrando os contrastes culturais do Brasil.
Serviço: Verve Companhia de Dança apresenta ''(C2h4)n - plástico'', neste sábado, às 21 horas, no Teatro Guaíra, em Curitiba. Ingressos a R$ 10,00 e R$ 5,00.

mockup