Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Encerrando o 17º Festival de Dança de Joinville, três companhias - ‘‘Raça’’, Cena 11’’ e ‘‘Dança de Rua’’ - mostraram o que a dança brasileira tem de melhor
Aguardada com ansiedade, a Noite Especial do 17º Festival de Dança de Joinville brilhou, anteontem, com os grupos ‘‘crias da casa’’. Pela primeira vez, o Festival priorizou as companhias nacionais para a noite de gala. Apresentaram-se o ‘‘Raça’’, de São Paulo, o ‘‘Cena 11’’, de Joinville e o ‘‘Dança de Rua do Brasil’’, de Santos. Ontem, foram entregues as premiações, encerrando os dez dias de festival.
Além dessas noites, o festival prestou um tributo ao bailarino brasileiro, desde o clássico ao dançarino de street dance. Valorizando profissionais que têm se destacado em teatros do mundo todo, as homenagens foram para os 90 Anos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e à carreira internacional de Cecília Kerche.
O ‘‘Raça’’ foi formado há 20 anos e vem crescendo cada vez mais. O grupo dançou ‘‘Novos Ventos’’ - uma montagem sobre folhas de outono. Já estiveram em 15 festivais de Joinville e sempre levaram prêmios. Com 14 bailarinos, a proposta abrange a natureza das pessoas e dela mesma.
Delicadeza ao vento, as folhas ganham vida através dos movimentos dos bailarinos. Os detalhes são minuciosos no trabalho de coreografia e direção de Roseli Rodrigues. A peça utiliza, ainda, composições do músico vanguardista francês Erick Satie.
‘‘In’Perfeito’’ foi encenado pelo grupo Cena 11. Criado em 1987, pelo coreógrafo Alejandro Ahmed, o grupo concorreu em Joinville uma única vez, em 1989, quando ainda era amador. Dez anos depois, retorna como grupo profissional consagrado.
De acordo com Ahmed, o espetáculo nasceu do conceito de imperfeição para falar sobre limites. ‘‘O limite físico em analogia aos outros limites. Não separamos nada. A nossa linguagem é sempre interligada. O cenário vai crescendo com o espetáculo.’’
A maturidade da companhia firmou-se nesse espetáculo que estreiou em 1997 em São Paulo e já esteve no Rio de Janeiro, Brasilia e interior de São Paulo. Curitiba está na agenda, mas ainda sem data definida.
Com oito cenas, ‘‘In’Perfeito’’ trava do homem e de sua necessidade de obter respostas. A peça reflete a inquietação de quem tenta chegar à perfeição e abolir o mistério, mesmo que seja manipulando moléculoas em laboratório.
Em sua técnica, o grupo excede a dança, passa pela vídeo-cenografia, música ao vivo, projeção de slides e textos microfonados. Os bailarinos repartem dessa tecnologia buscando a perfeição, o controle total.
Veio de Santos, o grupo Dança de Rua do Brasil com o espetáculo ‘‘History’’ - uma espécie de colagem com os melhores momentos dos anos em que concorreram e conquistaram prêmios no festival. A retrospectiva marca o fim do período competitivo e o início de uma nova etapa em que o grupo pretende adquirir uma mentalidade de companhia e excursionar pela Europa.
Trinta e sete bailarinos apresentaram as coreografias, que contam a história do Dança de Rua do Brasil: ‘‘Questão de Alma’’, ‘‘A Lenda’’, ‘‘Essência’’, ‘‘Os Bárbaros’’ e ‘‘Homem de Preto’’. ‘‘Tentamos sintetizar e costuras essas coreografias para mostrar nossa trajetória’’, comenta o diretor Marcelo Cirino. A montagem de ‘‘History’’ tem uma hora de duração mas em Joinville foi apresentada em meia hora. ‘‘São 30 minutos de explosão.’’
Dança e voz é o novo leque de opção que o grupo pretende explorar daqui para a frente. Cantores e compositores já estão trabalhando nos projetos de pesquisa, adianta Cirino.

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