Thais Caroline da Silva em ação: técnica a levou ao Circo Dragone da China, onde aprimorou as manobras que dependem da força capilar
Thais Caroline da Silva em ação: técnica a levou ao Circo Dragone da China, onde aprimorou as manobras que dependem da força capilar | Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli



Nascida em Foz do Iguaçu, Thais Caroline da Silva não tem tradição artística na família, tampouco esportista. Aos 29 anos de idade, porém, vem chamando atenção por sua trajetória no mundo circense, que começou há 11 anos, em Londrina. Entre acrobacias e malabares, o destaque de sua performance é cabelo suspenso, prática que a levou nada menos que para China, país desta magia, para o Circo Dragone, no ano passado. Depois da experiência intensa, está de volta ao Brasil percorrendo cidades para ministrar oficinas de força capilar e apresentar seu número que mistura dança no ar, literalmente, pendurada pelos cabelos. A artista é uma das atrações do XIII Festival de Circo de Londrina que, além no número, vai apresentar-se ao lado da Banda Iporãiterei, fazendo cover da cantora Amy Winehouse neste sábado (24), no Cabaré das Onze, às 23h, na Escola de Circo.

Ao contrário de países em que as crianças desde muito cedo praticam incansavelmente exercícios de alongamento e contorcionismo, Thais não teve o mesmo histórico, apesar de ter praticado vôlei e handebol quando adolescente. Pelo contrário, formou-se em Magistério e, apenas aos 18 anos, quando veio morar em Londrina, é que começou, de fato, a vida neste universo. "Eu precisava ganhar dinheiro. Como brincava muito com o swing pol, fui para o semáforo me apresentar junto com meu irmão", conta, referindo-se ao objeto feito de fitas usado para apresentações de malabarismo. Viu que a ideia deu certo e o público, neste caso os motoristas, gostavam de sua atuação. "Sempre investi muito no figurino, maquiagem e atuação. Acho que as aulas de teatro me deram essa postura e isso acabou sendo um diferencial", diz.

O início nas ruas, mais artístico, foi o pontapé para que ela entrasse de cabeça no mundo circense. Foi selecionada para a Escola de Circo de Londrina e, depois de muitas lágrimas – de dor e frustração – seu desempenho foi melhorando vertiginosamente. "Quando entrei, só sabia fazer cambalhota, tinha medo da parte aérea e não era boa em acrobacias. Mas, como sempre tive um lado cômico muito forte, fiz parte de várias esquetes que exploravam essa facilidade". Os movimentos e alongamentos foram aperfeiçoando-se – fruto de intensas horas de treinos – enquanto dividia o dia trabalhando durante a madrugada em bares e boates da cidade como recepcionista e, tempos depois, cantando em uma banda. "Não foi nada fácil essa época, mas sempre tive incentivo dos professores do projeto que me davam força para não desistir".

A partir dali, um leque de possibilidades começaram a se abrir. Não demorou e ingressou no curso de Educação Física na UEL (Universidade Estadual de Londrina), onde cursou o primeiro ano. "O amigo David Santos, que já havia conseguido uma bolsa de estudos na Escola Nacional de Circo, me encorajou a mandar um projeto. Contemplada, também fui para o Rio de Janeiro estudar", lembra. Lá, teve a certeza de que estava no caminho certo, apesar das dificuldades, sobretudo físicas e financeiras. "Depois de um ano de bolsa, tive de me virar para me manter. Nos anos seguintes, aprimorei outras técnicas circenses e, no último ano, aprendi a suspensão capilar que não estava mais sendo ensinada. Em seis meses montei meu número", diz, completando que pouco tempo receberia um prêmio no FIL (Festival Internacional de Intercâmbio de Linguagens) pelo espetáculo.

Thais Caroline da Silva em ação: técnica a levou ao Circo Dragone da China, onde aprimorou as manobras que dependem da força capilar
Thais Caroline da Silva em ação: técnica a levou ao Circo Dragone da China, onde aprimorou as manobras que dependem da força capilar | Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli



Ida para a China
Já no controle das técnicas – umas mais que outras – Thais participou de vários grupos, apresentações e eventos pelo país. Em um deles, durante a edição anterior do Festival de Circo de Londrina, uma professora de contorcionismo do Peru percebeu seu potencial e a indicou para o Circo Dragone da China. "Foi tudo muito rápido; em um mês estava em Hubai Wuhnan". Sem falar uma palavra de inglês, muito menos de chinês, teve uma adaptação complicada, sobretudo alimentar, chegando a emagrecer seis quilos em uma semana. "Eles são extremamente rígidos com a questão da disciplina e, principalmente, com horários. É uma empresa mesmo, onde todos têm batida de cartão. Mas o mais difícil foi o ritmo intenso de treinamento e apresentações. O dia começava às 11h da manhã, havia intervalo para almoço, voltávamos à tarde, apresentação à noite e, depois, mais exercícios. O dia acabava às 23h30", detalha.

Ainda que exaustivo e dividindo espaço com artistas bem novos, seu destaque na trupe, mais uma vez, foi a atuação e facilidade para dança. "Na verdade, foi o conjunto de fatores que me ajudaram: a parte cênica, a dança, a técnica, e, claro, a determinação. O circo é expressão de sentimento, não é só acrobacia, pois tem toda a coreografia, o gestual. Estamos ali, também, para emocionar o público." Já com relação aos cuidados com os cabelos, ela conta que não há muitos segredos, apenas toma vitaminas e fortificante duas vezes ao ano. "A técnica de suspensão está baseada na força do pescoço e da coluna." Além da performance de suspensão, Thais lança neste Festival, o projeto da Banda Iporãiterei, ao lado Thiago da Silva, Jessica Resende e Mariana Franco, no qual misturam música e artes circenses.

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