O alvo da arte de Candido Portinari (1903-1962) sempre foi o sentimento, que os bailarinos do Grupo Despertar, da Apae de Ibiporã, conseguiram tocar com a coreografia em homenagem ao pintor brasileiro, conquistando o pentacampeonato no VII Festival Nacional Nossa Arte realizado de 19 a 22 de agosto, em Penha, Santa Catarina (SC).
Para o mestre da pintura, a técnica é meramente um meio, recurso que ao elenco de 16 alunos, incluindo quatro cadeirantes, utilizou como uma ponte até a emoção do público e dos jurados, através da coreografia ''Portinari''.
Além dos jovens de Ibiporã - na faixa etária entre nove e 29 anos de idade -, que representaram o Estado na Categoria Dança, os parananeses também marcaram presença nas modalidades Artes Cênicas e Artes Musicais, pelas Apaes de Cambira e Marmeleiro, respectivamente.
Cada uma das duas cidades conquistou o segundo lugar na classificação geral em suas modalidades. ''A nossa chegada em Ibiporã foi fabulosa. Fiquei bastante emocionada, principalmente porque representamos o Estado'', destacou a coreógrafa Rosânia de Almeida, que criou a coreografia.
O elenco chegou ontem pela manhã em Ibiporã, com uma grande festa na Apae, depois de uma noite inteira de viagem de volta da competição, sendo recebido pela fanfarra da escola.
No próximo dia 4, o grupo participa de uma entrevista coletiva e de um desfile em carro aberto pelas ruas de Ibiporã.
Elizabeth Ramos da Cruz é mãe de uma das mais jovens integrantes do grupo, Tainara Aparecida da Cruz, oito anos. Ela acompanhou os bailarinos até o Parque Beto Carrero, em Penha, onde aconteceu o festival.
''A felicidade pela conquista é inexplicável. É um presente de Deus poder ver os nossos filhos arrancando aplausos do público. Durante a viagem a gente não é só mãe do filho da gente, mas também das outras crianças, que os pais não puderam acompanhar'', afirmou Elizabeth.
Ao vencer pela quarta vez a competição, o Grupo Despertar deve provocar mudanças no regulamento do festival.
''O nosso nível técnico é superior ao dos demais grupos, o que está fazendo os organizadores do festival pensarem em nossa situação'', comentou a Rosânia, acrescentando que além do troféu, a Federação Estadual das Apaes, está articulando uma apresentação no Rio Grande do Sul (RS), como uma forma de premiação pela conquista.
A coreógrafa ressalta que o trabalho com o grupo é feito como em uma escola regular de dança, com algumas adaptações, obedecendo aulas de preparação física, ensaios e a colaboração de psicólogos e fisioterapeutas.
Além da premiação, como resposta ao trabalho, a coreógrafa diz que é notável a dedicação dos alunos, que levam às aulas de dança a sério.
''A entrega deles para a dança é grande. Talvez pelo fato de não ter muita oportunidade, o elenco abraça a arte, que aparece como uma força para que possa ter uma vida melhor física e emocionalmente'', destacou Rosânia.(Colaborou Renato Forin Jr./Especial para a Folha2)

mockup