DANÇA - Uma cidade na pontas dos pés
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terça-feira, 19 de julho de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Já são quase 46 mil ingressos vendidos e Joinville (SC) se prepara para abrir hoje a sua 23 edição do Festival de Dança, que reúne mais de 200 grupos de de todo o Brasil para participar do maior evento de dança do mundo agora atestado pelo Guiness Book of Records de 2005. E se o sucesso se repetir neste ano, cerca de 200 mil pessoas deverão prestigiar até o dia 30 de julho dezenas de apresentações em espaços fechados e alternativos. Durante o festival, a cidade praticamente respira dança e desde os formatos dos chocolates até a decoração das vitrines trazem do universo da dança motivos para fazerem disso também um bom negócio. Sem falar na Feira da Sapatilha, que traz 60 expositores com centenas de atrações voltados ao ramo da dança.
E a noite de abertura, no Centreventos Cau Hansen, às 20 horas, começa com a apresentação do grupo polonês ''Mazowsze'', destaque no Leste Europeu pela produção de espetáculos com rica influência do folclore polonês, numeroso corpo de baile e execução de coreografia com música tocada ao vivo por uma orquestra.
Fundado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial pelo compositor e maestro Tadeusz Sygietynski e pela atriz Mira Ziminska, o grupo é hoje amplamente citado como um dos símbolos culturais (e turísticos) da Polônia, país que representa desde 1948, em turnês por diversos países.
A bagagem também é de peso: são quatro toneladas de equipamentos, com instrumentos musicais e figurino composto por centenas de peças, que lembram tradicionais vestimentas campestres. Durante o baile, alguns bailarinos chegam a trocar de roupa por dez vezes, e apesar de compor a estrutura de um bailado popular, o grupo tem como base de trabalho as técnicas clássicas.
Outra atração bastante esperada é a apresentação do grupo ''Raça Cia. de Dança'', no dia 25. O grupo, que fez sua estréia na terceira edição do festival, em 1985, no módulo competitivo, agora é o destaque na tradicional noite de gala com as coreografias ''Novos Ventos'' e ''Caminhos da Seda''.
E a mostra competitiva continua sendo a base do festival, que reúne grupos de todo o país, em apresentações classificatórias nas mais diversas categorias. Paralelamente, também acontece a mostra contemporânea, não competitiva, em que nesta edição serão apresentadas duas coreografias do Rio de Janeiro reunidas no espetáculo ''Solos'' e a presença de mais quatro grupos: ''Tápias'' (RJ), ''Márcia Milhazes'' (RJ), ''Icógnum'' (PE) e ''Stacatto'' (SP).
Mas o festival também inova destinando um dia inteiro para refletir sobre a dança, no dia 24, quando a programação inclui a apresentação de trabalhos acadêmicos sobre a dança e talk show com as bailarinas Cecília Kerche e Ana Botafogo.
Envolvido há oito anos na produção do festival, Victor Aronis, disse que é impressionante a credibilidade que o festival vem adquirindo, além da grande participação do público. ''Isso é quase um fenômeno se considerarmos que das artês cênicas, a dança é a mais difícil'', comentou.
Sobre o escândalo que envolveu a administração do Ballet Bolshoi, no ano passado, Aronis afirmou que isso não interferiu diretamente na realização do festival. ''No começo foi uma situação difícil. As pessoas não queriam conversar sobre dança e chegaram a ficar com medo, imaginando que o festival pudesse acabar, mas somos independentes do Bolshoi. Nunca tivemos uma ligação maior com eles a não ser pelo fato de cederem espaços para algumas das nossas apresentações'', ressaltou.
E para quem pensa que após o festival de dança a cidade perde esse vínculo, Aronis informa uma boa notícia: a de que escolas municipais já estão incluindo aulas de dança no seu currículo escolar. ''Isso é uma grande conquista para nós'', destaca.
Serviço:
- 23º Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina. De hoje a 30 de julho. Confira aprogramação completa pelo site www.festivaldedanca.com.br


