Curitiba No início deste ano a coreógrafa Débora de Lara começou uma pesquisa com os alunos e funcionários da Escola de Dança do Teatro Guaíra, em Curitiba, sobre como essas pessoas se sentiam em relação ao Brasil. A enquete se resumia a duas perguntas: ''o que o faz sentir orgulho de ser brasileiro'' e ''em que o País te envergonha''. As respostas inspiraram o espetáculo ''Alice no Brasil das Maravilhas''. Baseado no clássico do inglês Lewis Carroll, o espetáculo estréia hoje e leva para o palco os 340 alunos da escola, com idade entre 5 e 25 anos.
Na montagem, que envolve dança, teatro, bonecos, capoeira e percussão, Alice é uma sem-teto que sonha com uma vida melhor. Em seu sonho, ela encontra personagens peculiares, como políticos com falsas promessas, interpretados por bonecos gigantes, além de um povo alegre e criativo. ''É uma Alice bem brasileira'', conta a coreógrafa. Débora assina a coreografia ao lado de Cinthia Andrade, Gisele Pacheco, Marila Vellozo e Patrícia Otto. O roteiro é dela e de Orlando Conceição.
Para Débora, que também é psicóloga, a idéia do espetáculo é levar ao palco as maravilhas e os problemas sócio-econômicos do Brasil. ''Mas o principal é mostrar que a Alice é uma sonhadora e que todos podem resgatar a ''Alice'' que tem dentro de si'', diz.
O espetáculo envolve mais de 300 bailarinos de todas as idades e turmas da escola, mas também conta com apoio da equipe técnica. São cerca de 500 pessoas envolvidas na montagem. Para preparar tanta gente, a coreógrafa dividiu cada turma em um personagem. ''As turmas mais avançadas participam do espetáculo do início ao fim, algumas turmas fazem dois ou mais personagens e as crianças pequenas interpretam as cartas de baralho e os queridinho da rainha'', adianta Débora.
Os bonecos utilizados na montagem foram confeccionados pela bonequeira Tadica Veiga, que trabalha com crianças carentes em São José dos Pinhais. Ela confeccionou os adereços e os bonecos gigantes, em forma de mochilas, que os bailarinos levam nas costas, como o boneco da Alice, que cresce derrubando as paredes da fábrica, e os bonecos políticos, que brincam e dançam com a personagem principal.
O músico Helinho Santana, coordenador da ONG Cores da Rua (grupo de percussão formado por meninos e meninas carentes da periferia de Curitiba) também participa da montagem. Os figurinos foram criados pelas estilistas Fabianna Pescara e Renata Skrobot. A concepção dos cenários é de Cristine Conde, que trouxe o non-sense de Alice para o Brasil de hoje usando a linguagem de desenho animado. Figuras recortadas em madeira entram e saem de cena o tempo todo e, em alguns momentos, são manipulados pelos próprios bailarinos.
As músicas fazem um passeio pelo clássico e pela contemporâneo. São de Heitor Villa-Lobos, Seu Jorge, Gabriel Moura, Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, Egberto Gismonti, Paulinho Nogueira, Raul Seixas, entre outros. A projeção em vídeo, de Margareth Gaertner, ilustra cenas do Brasil e leva Alice na sua queda a chegar neste país. Outro momento da projeção é no fim do espetáculo, onde todos dançam numa grande comemoração.
O balé tem dois atos e seis cenas e cerca de duas horas de duração. Até o dia 26, o espetáculo se apresenta para mais de 8 mil alunos da rede pública de ensino.

Serviço:
- Espetáculo ''Alice no Brasil das Maravilhas''. De hoje a 26 de outubro no Teatro Guaíra, em Curitiba. Ingressos a R$ 10,00, R$ 8,00 e R$ 5,00. De hoje a sábado às 20h30. Domingo às 18 horas. Dias 25 e 26 às 9h30 e 14h30, com convites destinados às escolas públicas

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