O espetáculo ''Tabu'', do Ballet de Londrina, encerra hoje sua temporada no 2º Festival de Dança. A montagem, criada no ano passado pelo bailarino e coreógrafo Wagner Rosa, volta ao palco do Teatro Ouro Verde depois de sucessivas apresentações locais e em turnês pelo País e até na África.
''Tabu'' abre, às 20 horas, a penúltima noite da mostra competitiva. Segundo o coreógrafo, o trabalho tenta traduzir em linguagem corporal ''os conflitos gerados pela imposição de idéias e valores de uns sobre os outros''. Para enfatizar essas diferenças, ele apelou a contrastes na iluminação e na cenografia opondo luz e sombra, branco e preto e vertical e horizontal.
A coreografia é a segunda criação de Rosa dentro da companhia a primeira foi ''Romeu & Julieta'', de 2002. ''Tabu'' tem 28 minutos de duração. Após sua apresentação, dezenas de bailarinos entram em cena para mais uma etapa competitiva do Festival, desta vez dedicada aos gêneros clássico e neoclássico.
O programa reúne os conjuntos Hema Grupo de Dança (de Valinhos SP), Balé Isabel Gusman (Assis SP), Escola de Dança Studio Batel (Curitiba PR), Grupo de Dança Studio D-1 (Curitiba PR), Estúdio de Dança Helga Urel (Presidente Prudente SP) e Grupo Beth Libório (também de Presidente Prudente SP).
Ainda hoje, será realizada uma mesa redonda com o crítico do Jornal do Brasil Roberto Pereira, que esteve na edição passada do Festival participando de diversas atividades. O bate-papo com a platéia ocorre às 16 horas, no Circo Funcart, tendo como tema ''O Ensino de Dança''. Pereira exerce a crítica de espetáculos há quatro anos.
É professor de História da Dança, Estética e Crítica de Dança no Centro Universitário UniverCidade do Rio de Janeiro. Seu currículo acadêmico ostenta os títulos de Bacharel em Língua e Literatura Portuguesa pela PUC (SP), Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP (sob orientação de Helena Katz) e Mestre em Filosofia pela Universidade de Viena (Áustria), com dissertação sobre o balé romântico Giselle.
Essa tese virou o livro ''Giselle O Vôo Traduzido (da lenda ao balé)'', que ele lançou em sua visita anterior à cidade. Entrevistado na ocasião pela Folha de Londrina, explicou que o papel desempenhado pela crítica sofreu mudanças nas últimas décadas. Tomando a imprensa dos Estados Unidos como modelo, observou que a era do crítico todo-poderoso capaz de lotar ou esvaziar teatros com suas sentenças ficou no passado. ''Isso acabou'' declarou.
''Um crítico que fale bem ou mal não é um bom crítico. Bom é aquele que consegue destrinchar uma montagem, e tudo o que ela suscita, iluminando tanto os leitores quanto os próprios coreógrafos e bailarinos''. Sobre a formação dos profissionais da área, salientou que os críticos de dança mais importantes do eixo Rio-SP não são jornalistas.
''Claro que o fato de ser jornalista não impede ninguém de ser crítico, mas o diploma não lhe dá carimbo, não é um balizador nem mesmo para quem é repórter especializado. O exercício da crítica exige conhecimento da história da dança, de sua linguagem e de seus signos. Exige também uma certa formação em filosofia e estética para decodificar todos os elementos de um espetáculo. É uma empreitada e um desafio'' argumentou.
No próximo sábado, Pereira comanda outra mesa redonda no Circo Funcart, dessa vez para debater os modelos de festivais de dança existentes no Brasil.
Serviço:
- Espetáculo ''Tabu'' com o Ballet de Londrina e Mostra Competitiva com participação de 6 grupos. Hoje, às 20 horas, no Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (para estudantes, associados e com bônus da Folha de Londrina).


Serviço:
- Mesa Redonda sobre Ensino de Dança com Roberto Pereira. Hoje, às 16 horas, no Circo Funcart (Rua Souza Naves). Entrada franca.
- Sábado (28): Mesa Redonda sobre Modelos de Festival com Roberto Pereira. Sábado, às 16 horas, no Circo Funcart (Rua Souza Naves). Entrada franca.
- Outras informações pelo telefone (43) 3342-2362 ou pela internet: [email protected] ou www.conexaodanca.art.br/festivaldelondrina.htm.

mockup