O mais novo espetáculo do Ballet da Cidade de Londrina será visto esta noite pelo público que irá ao Teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro, para conferir o trabalho da trupe. Hoje e amanhã, o espetáculo ''Fome'' será apresentado às 21 horas e domingo, às 19 horas. Sob direção de Leonardo Ramos, a coreografia encerra uma trilogia iniciada por ''Nunca'' (2001) e ''Eternamente'' (2002) cuja essência é a condição humana.
Mantido pela Funarte, o espaço carioca que já foi palcos dos bailarinos londrinenses por sete vezes é o teatro oficial da dança na capital carioca. Esta é mais uma etapa da turnê comemorativa dos dez anos do Ballet de Londrina, que na segunda-feira embarca para a África.
A companhia recebeu um convite para representar o Brasil com três espetáculos e duas oficinas no Harare International Festival Arts (HIFA), no Zimbabwe (centro do continente). O Ballet teve uma grata surpresa no início de março, quando foi visitado por um representante da Tumbuka Dance, companhia oficial do país africano interessada em realizar intercâmbios e que tem como patrocinadora a fundação holandesa Prince Clauss.
O jornalista Craig Hamilton, agente da Tumbuka Dance Company, chegou a Londrina recomendado por uma bailarina uruguaia e, durante um dia, acompanhou ensaios, conheceu o arquivo da companhia e assistiu a vídeos das montagens.
Segundo Leonardo Ramos, o trabalho desenvolvido pelo Ballet e Escola Municipal de Dança é semelhante ao da Tumbuka Dance Company, que também está completando dez anos. ''Temos um trajetória parecida no trabalho de inclusão social, como os projetos de ensino de dança na periferia'', comenta.
A companhia africana surgiu logo depois que a antiga Rodésia conquistou a independência dos Estados Unidos, após uma longa guerra civil, passando a se chamar Zimbabwe.
No Brasil, Craig Hamilton também conheceu o trabalho das companhias Cisne Negro, Farc, Ballet Stagium e Ballet da Cidade de São Paulo (todas da capital paulista), Quasar (Goiânia), Ginga (Campo Grande) e Corpo (Belo Horizonte). O roteiro do agente ainda incluiria Argentina, México, Cuba e Índia. ''Ele saiu empolgado com o que viu aqui em Londrina. Do México ele nos telefonou e oficializou o convite'', contou Ramos.
O Ballet de Londrina vai inaugurar o intercâmbio com a Tumbuka Dance, levando ao festival de Harare os espetáculos ''Tabu'', ''... à Cidade'' e ''Fome''. O coreógrafo Leonardo Ramos vai ministrar uma oficina para bailarinos e os integrantes Carina Corte, Alessandro Micale e Marciano Bolleti vão trabalhar com meninos de rua do Zimbabwe. O Ballet de Londrina será a única companhia brasileira de dança no festival. Uma equipe de 16 pessoas (entre bailarinos, músico e técnicos) permanecerá na África de 27 de abril a 3 de maio.
Ainda dentro do intercâmbio, há previsão de retorno do diretor Leonardo Ramos à África em 2005, para montar um espetáculo no Zimbabwe. ''Também existe a idéia de montar um espetáculo conjunto das companhias africana e londrinense'', diz Ramos. O coreógrafo Sandro Borelli, do grupo Farc de São Paulo, deve integrar o intercâmbio em 2005.
Depois da viagem à África, o Ballet volta para casa para encerrar o Festival Internacional de Londrina (Filo), no dia 30 de maio. A trupe terá um curto espaço de tempo para a próxima viagem da turnê, desta vez para a Europa, em julho. Este ano, o Ballet de Londrina já passou por nove cidades do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Belo Horizonte. O projeto é patrocinado pela Milenia Agro Ciências, Ministério da Cultura, Sercomtel e Prefeitura de Londrina. A viagem ao Zimbabwe também teve apoio financeiro da fundação Prince Clauss.
A bem-sucedida carreira do Ballet de Londrina em sua primeira década de existência tem recebido elogios de quem entende do assunto e atraído as atenções para a cidade. Em matéria publicada no início desse mês, a crítica de dança do jornal O Estado de S. Paulo, Helena Katz referência da área no Brasil fez um raio-x da estrutura do Ballet e da Escola Municipal de Dança.
Helena Katz detalhou o trabalho da companhia e das escolas de dança e teatro, falou da inserção de projetos sócio-culturais na comunidade (através do projeto Faces de Londrina e programa Rede da Cidadania), frisou a importância do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e ainda destacou como exemplar a política pública de cultura desenvolvida em Londrina. Para ela, trata-se de ''um projeto que merece ser melhor conhecido e divulgado, para que todo o país saiba que qualquer cidade pode e deve, sim, buscar o seu próprio caminho''.

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