Essa arte teve origem nos Estados Unidos, mas carrega a influência dos africanos e dos irlandeses. Exige ritmo, coordenação, concentração nos movimentos dos pés e também integração com todo o corpo. O sapateado (tap dance) está relacionado a grandes nomes como Fred Astaire, Ginger Rogers e Gene Kelly, mestres da dança nos musicais dos anos 30. Atualmente, está espalhado por todo o mundo e é representado por grandes dançarinos.
Em Londrina, um grupo de crianças e jovens da periferia teve sua primeira experiência com essa dança, executada com sapatos especiais dotados de chapas metálicas no solado e que produz ruídos característicos. Só que a proposta era aliar a técnica do sapateado à dança e aos ritmos do cotidiano dos participantes. Assim foi realizada a oficina de ''Sambateado'', um dos Projetos de Maio do Festival Internacional de Londrina (Filo), ministrada pelo ator e bailarino francês Joseph Briaud, 25.
Este mês, sete participantes da oficina deram continuidade ao trabalho, que foi desenvolvido durante três semanas com 22 frequentadores do Centro de Produtores Independentes de Arte e Cultura (Cepiac), na zona norte de Londrina. O período de aperfeiçoamento foi patrocinado pela ong Círculo das Artes. Os monitores foram destacados por Briaud para aprender mais sobre o sapateado e poder dar continuidade às aulas na comunidade. Uma demonstração para o público estava agendada para ontem à noite, na Casa de Cultura da UEL.
Foram duas semanas ininterruptas de treinamento. Briaud comenta que o ''intensivo'' proporcionou um rendimento que ele esperava. ''Em duas semanas pude trabalhar com esse grupo coisas mais difíceis da técnica, que não conseguimos executar em um mês de oficina com os alunos mais jovens. Agora posso ir embora que eles conseguem levar as aulas sozinhos'', avisa o professor, que está em Londrina há um mês e meio.
A coordenadora do Cepiac, Darlene Kopinski, que também se juntou aos monitores para aprimorar a técnica, diz que a turma aprendeu passos novos e poderá ensinar outros alunos. ''Joseph está deixando uma coreografia pronta e nós vamos inventar coisas novas a partir do que ele nos ensinou'', comenta.
Para a participante Luana Santos, 13 anos, a experiência inédita foi uma grata surpresa. ''Nunca tinha feito nem visto sapateado antes. Só pela televisão. Foi muito bom'', diz ela, considerando que o mais difícil dessa arte é o equilíbrio, já que a técnica ''exige dançar a maior parte do tempo na ponta dos pés''. O grupo de monitores é formado também por Louriene Angélica, Jéssica Cristina, Fernando Henrique, Cláudia Fernanda e Vânia Cristina.
Briaud, que pratica o sapateado desde os sete anos, acredita que essa arte será incorporada às atividades do Cepiac. ''Todos parecem ter gostado muito do sapateado e sempre estão fazendo algum passo, mesmo fora da aula. É algo que sentiram próximo deles, da sua dança, do seu ritmo'', comenta.
O bailarino francês diz que apesar de ainda não ter um novo projeto, gostaria de voltar a Londrina. ''Foi uma grande experiência. Aprendi coisas novas com as crianças aqui da periferia, que têm uma realidade diferente daquela do meu país. Foi muito enriquecedor esse contato''.
O Cepiac terá aulas abertas à comunidade. Mais informações sobre horários e turmas pelo telefone (43) 9915-8459.

mockup