DANÇA - O SONHO de calçar as sapatilhas
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de maio de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Antes de polir a pedra, o homem aprendeu a dançar e não parou mais, transformando o que era instinto em arte, que consagrou nomes. Sem a pretensão de se tornarem uma Anna Pavlova, um Vaslav Nijinsky, dois deuses de sapatilhas, ou ainda sair sapateando como Fred Asteire e Ginger Rogers, alunos dos cursos livres da Escola Municipal de Dança de Londrina estão descobrindo um mundo novo nas pontas dos pés.
''Começamos com os cursos livres em 2002 e, a partir do ano passado, tivemos um volume de alunos ainda maior. A aceitação é grande, principalmente porque cobramos uma mensalidade acessível, recurso que é importante ao ser utilizado na parte social da escola, auxiliando alunos que não têm condições. Muitos dos que se inscrevem nos cursos livres levam isso em consideração'', afirma o diretor da Escola Municipal de Dança de Londrina, Leonardo Ramos.
Entre as práticas de dança oferecidas por uma mensalidade que varia de R$ 35,00 a R$ 50,00, os interessados podem escolher o Pré-Ballet para crianças de quatro a seis anos de idade ; Dança Contemporânea; Iniciação Adulto ao Ballet; Dança Árabe (iniciação e básico 1); Dança Tribal; Jazz e Dança de Salão.
Para os que quase não alcançam as barras, mas já sustentam nas pontas dos pés o sonho da dança, o Pré-Ballet ou Baby Class é o primeiro degrau da experiência com a dança, podendo despertar uma futura carreira profissional.
Porém, o principal das aulas é oferecer às crianças noções de espaço, ritmo e coordenação motora. ''Também aumenta a capacidade dos alunos em se expressarem, aumentando a auto-estima. Principalmente nessa faixa etária, a dança colabora para desenvolver a atenção e a disciplina nas crianças'' aponta a professora Patrícia Proscêncio, lembrando que as aulas de Pré-Ballet ajudam a preparar candidatos ao teste de aptidão do curso regular da escola.
Para os que não tiveram a oportunidade de calçar as sapatilhas na infância ou os que guardaram o tutu (roupa de bailarina) muito cedo no armário, o curso de Iniciação Adulto ao Ballet pode significar o retorno a um sonho guardado numa caixinha de música.
O professor Fernando Arruda ressalta que o compromisso com a técnica não rodopia na cabeça dos alunos, já que ninguém que participa das aulas tem a pretensão de se tornar bailarino ou bailarina.
''Algumas alunas estão em busca de se satisfazerem mentalmente ou por necessidade física. Tenho duas participantes, que se matricularam nas aulas, como uma forma de terapia. Uma delas fez uma cirurgia e outra por problemas orgânicos apresentava certa flacidez, encontrando na dança uma forma de complementar o processo de reabilitação'', acrescenta Arruda, apontando que além da parte técnica, as alunas ainda participam de atividades com coreografia.
Ao soltarem os pés na dança, alguns participantes também soltam os bichos, representados pelo estresse do dia-a-dia. ''As aulas têm músicas e movimentos, que fazem com que as pessoas se libertem de todas as tensões. Fiz parte do primeiro elenco da Companhia Ballet de Londrina e, agora do outro lado, como professor, vejo que a dança possui um lado lúdico muito importante'', avalia Arruda, que tem alunas com 50 anos de idade.
Apesar do curso não ter a intenção principal de acender a luz do palco para as alunas deram um show de técnica, Arruda pretende apresentar algum trabalho da turma, durante o Festival de Dança de Londrina.
Para as que não se inspiram em Pavlova, mas sonham com as mil e uma possibilidades da arte, a dança do ventre liberta o gênio da consciência corporal em movimentos.
''De maneira geral melhora a qualidade de vida, a postura corporal, aliviando inclusive dores, com os movimentos delicados e coordenadas da dança. Cinquenta por cento do que as pessoas acham que é gordura, por exemplo, é problema de má postura. A partir do momento em que encaixa o quadril já sente alguma melhora'', ressalta a professora Rhamza Ali.
Ela acreescenta que muitas mulheres procuram a dança do ventre por considerar sensual e querer agradar aos maridos e namorados, mas que o caminho para chegar às emoções do outro começa interiormente. ''Levo essas participantes a pensarem que devem fazer a aula para agradarem-se a si mesmas. É um momento em que elas se desvenciliam dos afazeres para se dedicarem a algo para elas, que não seja para os maridos ou namorados. Algumas vêm com a idéia de emagrecer com as aulas. Já desanimo logo, o que conseguimos são outras consequências que, de maneira geral, correspondem a uma melhora na qualidade de vida'', afirma Rhamza.
Do clássico ao contemporâneo todos os gêneros fazem o convite ''vem dançar comigo'' a qualquer pessoa não importa a idade. ''Acho que dos cursos livres, o jazz, a dança de salão e a dança contemporânea são para pessoas que querem trabalhar com espaço e fluxo de movimentos. É para qualquer um que parou de dançar ou que nunca dançou e quer mexer o corpo'', afirma a professora de Dança Contemporânea, Carina Corte, inspirando candidatos às sapatilhas e aos salões.
SERVIÇO:
Informações sobre os cursos livres da Escola Municipal de Dança de Londrina pelo Tel. 3342-2362


