DANÇA - O destino nos passos do flamenco
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 2003
Ana Setti Rosa<br> Reportagem Local 
A batida compassada dos pés contra o chão sintoniza as batidas do coração e o faz acelerar de temerosa ansiedade. As cores fortes, com predominância do vermelho, envolvem, misturando-se aos volteios das saias, cheias de babados e recortes. Os gestos são pura paixão e fogo, que avivam emoções recolhidas. A postura é orgulhosa, provocadora, e busca resistências, só pelo prazer de enfrentá-las. Em meio a tudo isso, um desvendamento de destinos, cartas de tarô reveladas pelos ciganos, origem e alma da dança flamenca.
Desdobra-se, assim, passando pelos ''signos'' da vida, do desejo, da alegria, do poder e da verdade, o espetáculo ''Drabara'' ou ''o ato de pôr as cartas'', de acordo com os ciganos, que será apresentado hoje, no Cine-Teatro Ouro Verde, a partir das 20h30, pela Escola de Dança Flamenca Michel Cássin. ''O espetáculo é quente'', alerta o bailarino, coreógrafo e professor Michel, ''porque o grupo não se atém apenas aos passos sincronizados, mas dança com a alma e o coração''. Ele próprio caracteriza seu trabalho pela paixão, nascida aos 12 anos de idade, quando, já com formação básica em dança clássica, que praticava desde os nove, foi apresentado ao flamenco. ''Fiquei fascinado'', lembra Michel. A partir daí, não conseguiu mais se desviar do caminho da dança, apesar da pressão familiar para que seguisse a carreira de médico. Destino traçado?
Talvez estivesse no sangue, já que é filho de pai árabe e mãe espanhola, duas das ascendências que, no cadinho do século XVIII, integraram a marcante formulação do flamenco. Mas a dança tomou sua forma definitiva na Andaluzia, sul da Espanha, onde ''los gitanos'', os ciganos, haviam se estabelecido com certa tranquilidade, sob os auspícios do rei Carlos III. E com os ciganos a dança se preservou pelos séculos seguintes, alcançando o tempo moderno como uma expressão artística tipicamente espanhola.
Para o maringaense Michel, formado na escola de dança Regina Mundi e que escolheu Londrina há seis anos para montar sua própria escola e companhia de dança, o flamenco é de fato um caminho, que vem percorrendo com muito sucesso. Seu grupo de dança já foi premiado nas edições de 1999 e de 2001 do Festival Mercosul e, recentemente, no Festival de Dança de Londrina 2003, conquistou o primeiro lugar na categoria de danças étnicas. O espetáculo que apresenta no Ouro Verde é o oitavo de sua carreira e conta com 24 bailarinos, Michel inclusive, oriundos tanto da escola, quanto da companhia de dança. Exigente e perfeccionista, Michel não se contenta com menos, quer que, de mais esse encontro com a dança flamenca, ''as pessoas saiam extasiadas''.
Serviço:
- Drabara, espetáculo da Escola de Dança Flamenca Michel Cássin. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos: bilheteria do Ouro Verde (na hora do espetáculo): R$ 15,00. Nas lojas Side Walk (Shopping Catuaí) e Seda Cáustica (Shopping Royal): R$ 12,00 e R$ 6,00 (para estudantes, com carteirinha, e aposentados). Mais informações e reserva de ingressos: (43) 9106.2430 / 3323.4004


