Curitiba - À primeira escuta, a música indiana e a brasileira podem parecer distantes, mas o coreógrafo Ivaldo Bertazzo conseguiu encontrar semelhanças nos dois ritmos e promover um diálogo entre a cultura dos dois países no espetáculo ''Samwaad - Rua do Encontro''. A montagem reúne jovens da periferia de São Paulo e faz um intercâmbio com artistas indianos que também integram a coreografia. São 55 jovens dançarinos e sete músicos no palco que executam ao vivo a trilha original. Depois de estrear em São Paulo e percorrer várias cidades brasileiras, a montagem chega a Curitiba para duas apresentações, nesta segunda e terça-feira.
Em hindi, samwaad significa harmonia. E foi justamente essa harmonia que o coreográfo procurou levar para o espetáculo. ''Utilizei a música indiana por causa das bases de coordenação que o ritmo propicia'', conta. Desde a década de 70, Bertazzo investe nos estudos dos ritmos indianos. Tudo começou com a pesquisa de movimento iniciada por ele. ''São estudos sobre como o corpo humano se movimenta e constrói a sua identidade, independente dos ritmos musicais.'' Para o coreógrafo, a dança indiana trabalha com o aspecto psicomotor do dançarino e foi por isso que ele elegeu a cultura do país para trabalhar com os jovens da periferia.
''A dança indiana trabalha com as mãos, pés e músculos da face, enfim, mexe com tudo, mas eu também quis associar isso ao corpo brasileiro''. Para montar o espetáculo, Bertazzo contou com músicos indianos que vieram ao Brasil para compôr a trilha. No início do espetáculo, a música é baseada em escrituras sagradas do hinduísmo e fala de iluminação, de entendimento. Mas é no decorrer da montagem que o público pode perceber a aproximação entre os timbres peculiares do Brasil e Índia.
No cenário que reproduz uma rua, se encontram os jovens de sete organizações não governamentais da periferia paulistana que participaram do projeto Dança Comunidade, percussionista e ritmistas e uma dançarina indiana. O fato de ter tantos artistas no palco não assusta o coreográfo. ''Já trabalhei com 140 dançarinos, é uma forma de ensinar o indivíduo a trabalhar a coletividade'', diz Bertazzo. Ele lamenta que os espetáculos de dança e teatro levem ao palco cada vez menos pessoas. ''É uma questão de verba. É muito caro trabalhar com muita gente'', argumenta.
Samwaad é uma parceria com o Sesc São Paulo, que também apóia o Projeto Comunidade, de onde saíram os participantes da montagem. Depois da apresentação em Curitiba, encerra a temporada do ano com apresentações no Rio de Janeiro e São Paulo. Bertazzo adianta que o espetáculo já recebeu convites para apresentações na França e na Holanda. Os convites, diz ele, é um estímulo para que os dançarinos criem, no futuro, um grupo de trabalho.

Serviço:
- Samwaad - Rua do Encontro, segunda e terça-feira às 21 horas no Teatro da Reitoria. Workshop ''Reeducação do Movimento'' na segunda-feira, às 14 horas no Sesc da Esquina. Ingressos a R$ 40 e R$ 20,00.

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