Depois de nove dias de muita dança, criatividade e superação de desafios, a segunda edição do Festival de Dança de Londrina foi encerrado anteontem à noite no Teatro Ouro Verde e contou com a participação especial de Cecília Kerche, primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Para a próxima edição do evento, em 2005, o diretor Leonardo Ramos já aponta algumas possíveis mudanças, entre elas a reformulação do conceito das mostras competitivas.
''Esse formato está desgastado e estamos pensando em uma maneira de fazê-lo ficar menos competitivo e mais voltado para o processo de formação do profissional de dança'', afirmou Ramos, que também sugere a criação de um prêmio estímulo ou até uma bolsa de estudos para a companhia que mais se destacar. Outra modificação é que será oficializado na contratação das companhias profissionais a sua permanência no período de dois dias na cidade para a troca sistematizada com os bailarinos locais. ''Isso é fundamental para a troca de informações técnicas, e que já vinha sendo feita de maneira esporádica'', disse.
A adesão do público às oficinas nesta edição também foi considerado um avanço positivo, mas Ramos criticou que muitos profissionais iniciantes da cidade não tenham participado da maioria das atividades programadas, incluindo as mesas redondas. ''Precisamos fazer com que a informação chegue até essas pessoas. elas precisam ter consciência dessa necessidade, até porque o nível das duas mostras (livre e contemporânea) demonstrou a necessidade de reciclagem, que oferecemos nas oficinas e eles não souberam aproveitar.''
Durante o festival foram realizadas oficinas de ballet clássico, dança contemporânea, folclórica brasileira e cursos de mímica, street dance e Body-Mind Centering (BMC) técnica de dança norte-americana pouco conhecida no país. Nesta edição cerca de 150 pessoas tiveram a oportunidade de participar das atividades, número superior ao registrado no último festival, que promoveu apenas três tipos de cursos.
Dentre as várias perspectivas citadas pelo diretor, a apresentação do panorama da dança contemporânea brasileira ao público de Londrina e aos próprios bailarinos que representam a cidade foi considerada a mais significativa.
Ao todo, foram 200 apresentações de 56 grupos vindos dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco, além de outras cidades do Paraná, que concorreram na mostra competitiva e mais seis grupos de dança já consagrados no Brasil, como o Ballet Teatro Guaíra, Grupo da Escola de Dança do Teatro Guaíra, Companhia de Dança de Diadema, Borelli Companhia de Dança de São Paulo, Balé de Londrina e Escola Municipal de Dança.
A mostra competitiva foi composta por cerca de 132 apresentações, em 12 formatos coreográficos: o balé clássico, com apresentações de Grand Pas-de-Deux, variações de repertório masculina e feminina e conjuntos clássico e neoclássico; dança contemporânea/moderno em apresentações de conjuntos, solos, duos e trios; conjuntos de street dance; conjuntos de danças étnicas, que incluem danças de caráter folclórico, o flamenco e a dança do ventre; duos de dança de salão e conjuntos de jazz. Os prêmios foram concedidos em dinheiro, com valores que variaram entre R$ 250,00 e R$ 1 mil.
No encerramento, promovido pela Associação dos Profissionais da Dança de Londrina (APD) e patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), ainda foram premiados os participantes da mostra competitiva que, nesta edição reuniu cerca de 900 bailarinos com 124 coreografias diferentes.

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