DANÇA - Experimentalismo em cena
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O termo foi criado para denominar uma caixa onde cientistas estudam o comportamento dos animais. Com base nessas experiências, uma companhia de dança catarinense criou o espetáculo ''Skinnerbox''. No lugar de animais, bailarinos, em um espetáculo que aborda o comportamento e a liberdade como temática principal. Ainda em referência ao título da montagem, o Grupo Cena 11 Cia de Dança, de Florianópolis, ''contracena'', com a cadela Nina, da raça Border Collie, considerada uma das raças mais dóceis e inteligentes do mundo canino.
No palco, a cadela e nove bailarinos apresentam uma coreografia assinada pelo coreógrafo e diretor artístico da companhia, Alejandro Ahmed. A tecnologia também aparece no espetáculo em objetos de cena, como pequenos robôs que compõem a cenografia. ''Skinnerbox'' estreou no ano passado e já fez uma turnê internacional. O projeto surgiu de uma parceria com uma companhia alemã e estreou, inclusive, com três bailarinos alemães no elenco. Depois desse projeto e das apresentações em Berlim, o grupo voltou ao Brasil e se dedicou à turnê nacional, dessa vez substituindo o elenco estrangeiro.
Já a cadela Nina integra a companhia desde a estréia do espetáculo. O animal foi comprado em 2003, já com o objetivo de compor o grupo. Durante dois anos, a cadela foi treinada por um adestrador. ''Hoje, ela é um membro efetivo da companhia'', conta Ahmed. Ele esclarece, no entanto, que não se trata de um cachorro de circo. ''Ela integra o nosso objetivo de pesquisar ações e reações diante de situações inusitadas'', explica.
Com a montagem, a companhia fundada em 1993 consolida uma linguagem calcada em um processo de pesquisa, investigativo, em movimentos corporais. ''O espetáculo propõe uma pergunta sobre comportamento e liberdade, formulada para que a resposta possa ser investigada através dos corpos que a tornarem dança'', explica o coreógrafo.
O cenário é trabalhado com objetos de cena e o ambiente é composto com marcas no chão. ''Nós vamos montando os objetos e construindo o espaço de acordo com as necessidades que cada cena propõe''. Segundo o coreógrafo isso também vale na hora de utilizar a tecnologia, usada como extensão do corpo ou complementação da cena. Em cena, são utilizadas câmeras por controle remoto que funcionam como uma extensão do olhar do espectador e do elenco.
Com a única apresentação do espetáculo em Curitiba, a companhia encerra a turnê nacional este ano. No ano que vem, retoma a estrada com a montagem ''Pequenas frestas de ficção sobre a realidade insistente'', que também tem a cadela Nina no elenco.
Serviço:
- Skinnerbox, do Grupo Cena 11 Cia. de Dança Companhia. Única apresentação hoje, no Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha Rua XV de Novembro, s/nº), às 21 horas. Ingressos a R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada)


