Na suavidade dos movimentos do balé clássico ou na força de expressão das danças modernas se encontra a oportunidade de desenvolver o talento artístico e também de exercer a cidadania. Essa é a proposta do projeto ''A Nossa Bandeira é o Amor'', desenvolvido desde 2002 pela Escola de Ballet Artes, Danças e Mimos, que funciona no Londrina Country Club e Associação Recreativa Esportiva Londrinense (Arel).
Desde o início do projeto, a intenção primordial foi realizar espetáculos beneficentes para a arrecadação de recursos para a viabilização de bolsas de estudo de dança para alunas de baixa renda. Atualmente já são 25 alunas beneficiadas pelo projeto.
Hoje, no Teatro Ouro Verde, será realizada a apresentação do espetáculo musical ''A Arca de Noé'', reunindo ao todo 80 alunas, de 3 a 18 anos. No repertório, coreografias de balé clássico, jazz, sapateado, rock, samba (com sapatilhas de ponta), intercaladas com cenas teatrais sobre o tema do espetáculo.
Serão duas apresentações. Uma fechada para colégios da cidade, à tarde, e outra aberta ao público em geral, às 20h30, com ingressos a R$ 5,00 (preço único). A renda será revertida para a manutenção das bolsas já existentes e abertura de novas vagas. Após a estréia, o grupo costuma ficar em temporada durante um ano, se apresentando em escolas, creches, hospitais, igrejas e eventos em gerais.
Coordenado pela professora de dança Ery Cláudia Abujamra, o trabalho prima pela qualidade na área de dança e pela formação integral do alunos.
Além das aulas de dança, todas as alunas têm a oportunidade de frequentar aulas de etiqueta, maquiagem, penteado, bordado das roupas utilizadas nas apresentações e artes. Há também aulas de francês para que dominem corretamente os termos típicos do balé clássico.
Contando com doações diversas, o trabalho busca reciclar os materiais para otimizar os gastos com a produção dos figurinos e cenários. E não falta criatividade: garrafas PET, por exemplo, viraram belos arranjos de cabelo - que sob o efeito da luz de palco parecem feitos de cristal -, e capas de assentos de ônibus, doadas pela Viação Garcia, adornaram muito bem o corpete das bailarinas do grupo avançado de balé clássico. ''Em um tempo em que tudo vem muito pronto, é de muito valor que as alunas participem de todo o processo de construção daquilo que irão precisar'', disse a professora.
Segundo Ery, a idéia de trabalhar temas religiosos nos espetáculos beneficentes foi uma forma de aproximar as pessoas para o evento, já que são assuntos que têm boa aceitação com o público. ''Mas é importante ressaltar que não fazemos distinção religiosa. Valorizamos temas que falem do amor, da amizade, da esperança. No caso do espetáculo 'A Arca de Noé', o foco é a importância da obediência a Deus e de saber ter paciência'', destacou.
Acostumada a lidar com crianças que vivenciam as mais diversas situações de risco no meio familiar, independentemente da condição financeira, Ery comentou a importância fundamental delas terem esse tipo de referencial positivo.
O trabalho também envolve um cuidado respeitoso com as alunas beneficiadas diretamente pelo projeto. Elas não são rotuladas como carentes e integram naturalmente o grupo de alunas que frequentam os cursos. Nem elas mesmas sabem quem é ou não bolsista. ''O nosso objetivo não é fazer caridade e sim valorizar a troca de experiências.''
E tudo começou com algumas alunas da escola comentando que a filha da empregada doméstica ou do porteiro, que eventualmente foram convidados para assistir ao espetáculo, expressaram o desejo - na época, praticamente um sonho distante - de fazerem aulas de balé. ''De repente, nos demos conta de que havia muita gente próxima de nós que poderia ser beneficiada com as aulas de dança e resolvemos abraçar carinhosamente esse desafio'', afirmou Ery.
Uma das alunas bolsistas, de 14 anos, contou que quando recebeu o convite para fazer aula de balé nunca havia pensado na possibilidade de conseguir fazer esse tipo de atividade. Com o apoio da família, hoje já faz quatro anos que se dedica à dança e agora também sonha em fazer faculdade de Veterinária. ''Me sinto muito integrada ao grupo e os meus pais ficam orgulhosos quando me vêem dançar. Eles sempre dizem a mesma coisa: que fui a melhor!'', disse.
Outra aluna da escola ressaltou que, enquanto dança, ''esquece do mundo''. ''A dor é bastante e tem que ter muita disciplina, cuidado com a postura e concentração. Mas tudo isso vale a pena'', concluiu.
Quem quiser conhecer mais sobre o projeto ou se informar sobre formas de contribuição, pode entrar em contato pelos telefones (43) 3327-4741 (ramal 221) ou 3315-3425.

SERVIÇO:
- Apresentação beneficente do espetáculo musical ''A Arca de Noé'', com alunas da Escola de Ballet Artes, Danças e Mimos
Quando - Hoje, às 20h30
Onde - Teatro Ouro Verde (R. Maranhão, 85)
Quanto - Ingressos no local a R$ 5,00 (preço único)

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