Paris - A bailarina e coreógrafa brasileira Maria Clara Villalobos apresentou em Paris seu espetáculo de dança e teatro ‘‘M, uma obra mediana’’, no qual, com grande generosidade corporal e humor, auxiliada por dois atores e bailarinos, desvenda a alienante cultura de massas, afetada pelo consumismo e a superficialidade.
  Maria Clara Villalobos nasceu em Brasília, em 1972, em uma família de diplomatas, com a qual viajou pelo mundo. Estudou dança clássica durante três anos na ‘‘Balletschule’’ de Berlim e depois ingressou na Caprioli Dance Co. da Suécia.
  Seu espetáculo é surpreendente porque ela e os dois bailarinos, o catalão Jordi Vidal e o francês Denis Robert, recebem os espectadores disfarçados com máscaras de plástico de aparência banal, como três amigos que esperam convidados. Pouco a pouco os três vão se decompondo, passando por diferentes transes, em um jogo corporal que inclui até uma crítica, bem humorada, sobre a obsessão por sexo.
  ‘‘O humor é um elemento sempre presente em meu trabalho. Para mim é vital, tanto na vida cotidiana como no processo de criação’’, afirmou a bailarina após uma apresentação no
centro cultural Wallonie-Bruxelas de Paris.
  A brasileira, autora da obra e responsável pelo cenário e figurinos, é o centro do triângulo coreográfico que joga com todas as posições possíveis do corpo, às vezes com uma dança de estilo cabaré e outras com um baile que imita uma produção em série, com um fundo musical de Vivaldi sobre um insistente som de telefone.
  A repetição dos movimentos, as mudanças de posição de absurdos manequins, o ato de amor mimado como em uma orgia se transformam em passos de dança maliciosos e ingênuos que desconcertam e sacodem o espectador.
  ‘Sim, há uma crítica implícita aos programas de televisão que estão na moda, como o chamado ‘Big Brother’, que pretende chamar a atenção do público mostrando o mais banal, inclusive as pessoas fazendo suas necessidades fisiológicas. Trabalhamos com essa fricção que existe entre a espontaneidade e o mecânico’’, explica.
  ‘‘A repetição transforma as coisas. O gesto de vestir-se ou tirar a roupa, repetido, se torna um passo de dança. Também mostramos o lado quase fascista da publicidade e dos meios de comunicação, que tentam vender a beleza física como modelo. E o exagero do sexo considerado como uma moeda de valor, como algo que te deve servir para abrir portas’’, acrescenta a bailarina.
  A partir da segunda semana de fevereiro, a brasileira apresentará em Paris, desta vez no teatro da Bastille, a peça ‘‘XL’’, uma comédia musical na qual ela critica ‘‘o negócio e a indústria da dança.
  Maria Clara Villalobos vive desde 1995 em Bruxelas, onde passou um ano na escola PARTS.

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