Damasco - Ao entrar pela primeira vez na cidade velha de Damasco, a sensação é de que se está entrando em uma cena das ''Mil e Uma Noites''. E a atmosfera única do local não é apenas para turista ver. O que se vê dentro das muralhas que cercam a mais antiga cidade do mundo é real e verdadeiro. A população vive seu cotidiano, independente dos olhares curiosos dos visitantes.
Damasco, considerada a mais antiga cidade continuamente habitada do mundo, é realmente impactante pelo tamanho de seu centro histórico, todo cercado por uma alta muralha de pedra bem conservada. Há vários portões de entrada, o principal deles ao lado da Cidadela, fortaleza fundada em 1078 d.C, onde é possível ver uma estátua de Saladin, o herói da luta dos árabes contra os cruzados.
Ao cruzar esse portão, tem-se uma primeira visão grandiosa do corredor principal do Souq Al Hamidyyeh, o mercado mais importante da capital síria. É uma imensa galeria com mais de 100 metros de comprimento, pé-direito altíssimo e um teto formado por arcos de ferro batido.
Dos dois lados, centenas de pequenas lojas vendendo os mais diversos produtos: roupas, sapatos, jóias, comidas etc. Milhares de pessoas trafegam animadamente pelo local.
Viajamos pela Síria durante o Ramadã, o nono mês do ano muçulmano, considerado sagrado, e durante o qual a lei de Maomé prescreve um jejum diário entre o alvorecer e o pôr-do-sol.
Nessa época, o Souq Al-Hamidyyeh vive momentos de tranquilidade, como durante a primeira refeição do dia, iniciada imediatamente após o sol desaparecer no horizonte, e momentos de intenso rebuliço, que, muitas vezes, avançam noite adentro.
Enfiar-se pelas estreitas ruas laterais do mercado, experimentando exóticas especiarias, frutas secas, doces e salgados é uma experiência sensorial e cultural incomparável. E nem precisa dizer que os comerciantes são bastante solícitos e simpáticos.
A galeria principal do souq (mercado, em árabe) desemboca no Templo de Júpiter, construído durante os 700 anos de ocupação romana (64 a.C a 636 d.C), do qual restou apenas um par de colunas de grande porte. No local, várias construções religiosas se sucederam até culminar na atual Mesquita Umayyad, um dos maiores e mais famosos templos islâmicos do mundo.
Ao sair da mesquita pela porta do lado oposto ao Templo de Júpiter, procure o interessantíssimo café Al-Nawafara, onde diariamente, no início da noite (entre 18 e 20 horas), um contador de histórias, sentado num cadeirão preso na parede em um nível mais elevado, lê em voz alta contos clássicos da cultura árabe.
A platéia, formada principalmente por homens, bebe café turco ou chá e fuma narguilé, e reage, com risos e gritos, aos momentos mais emocionantes da história. Há algo mais ''Mil e Uma Noites'' do que isso?
Aí, aliás, é um bom local para experimentar esse cachimbo largamente utilizado em todo o Oriente Médio, composto de um fornilho, um tubo e um vaso cheio de água perfumada. O fumo, que pode ser de ervas, flores ou frutas, é queimado, e a fumaça é filtrada pela água antes de chegar à boca. É gostoso e não tem nada de alucinógeno, não! (O.D./AE)

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