A primeira versão da biografia ‘‘Vianinha – cúmplice da paixão’’ completou uma década. O escritor Dênis de Moraes inseriu nesse relançamento mais de 100 páginas à edição original, pesquisando nos arquivos da Polícia Política do Rio de Janeiro e nos arquivos da Censura do Ministério da Justiça. ‘‘Pude certificar como a polícia política acompanhou a trajetória de Vianinha. Em seu prontuário robusto constatei como os agentes eram mal informados, trabalhavam sem nenhum rigor e desconheciam as pessoas do meio artístico’’, afirmou o escritor em entrevista, por telefone, à Folha2, em Nova Friburgo (RJ).
Nos arquivos da Censura, Dênis conheceu os bastidores da repressão ditatorial e os esforços para barrar a inteligência no País. Também pôde manusear os processos que resultaram nas proibições de ‘‘Rasga Coração’’ e ‘‘Papa Highirte’’. ‘‘O ex-ministro da Justiça Armando Falcão, por três vezes, homologou os vetos à proibição de ‘‘Rasga Coração’’, assinala.
O autor destaca como o dínamo Vianinha procurou conciliar arte e política, cultura e ideologia. ‘‘O pensador está no mesmo nível do dramaturgo’’, resume. Seu legado comprova como a cultura pode intervir no processo político e social. ‘‘Vianinha cortava na própria carne, não se poupava’’. Como principal teórico de sua geração, o dramaturgo não se intimidava em rever suas posições, aprendendo errando. Vianinha foi o autor teatral que conseguiu reunir um maior conjunto de premiações em sua época. Foi condecorado com o Prêmio Moliére por quatro vezes (dois póstumos).
Para Dênis de Moraes, essa volta aos textos clássicos ‘‘é uma demonstração cabal de que o teatro social resiste ao tempo, principamente porque os problemas sociais do Brasil continuam os mesmos’’. (F.F.)

mockup