"Da Vinci Pintando o Sete" mostra a convivência pacífica de arte e ciência
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Ubiratan Brasil 
São Paulo, 13 (AE) - A estréia de sua máquina voadora foi tão desastrosa que o garoto Leonardo da Vinci leva um tombo e começa a sonhar que está em Eureka, a cidade das invenções. Eis o início de "Da Vinci Pintando o Sete", espetáculo infanto-juvenil que está em cartaz no Teatro Ruth Escobar. Mais que diversão, a peça prossegue o projeto iniciado pelo ator Carlos Palma, que há meses lota outra sala do teatro com o monólogo "Einstein: Arte e Ciência no Palco".
"Da Vinci foi artista múltiplo e não tinha medo de errar", comenta Palma, que dirige o espetáculo. "Decidimos montar um espetáculo sobre sua decisão de jamais desistir". A peça é recheada de citações científicas, como as da princesa Larissa, que é filha de Arquimedes (matemático grego) e moradora de Eureka. "Vamos mostrar como um gênio lidava com os erros e acertos de sua imaginação", conta Palma.
A opção por divulgar a ciência por meio do teatro empolgou diversos espectadores, que passaram a apresentar sugestões. Entre os e-mails recebidos por Palma, um revelou especial destaque: assinado pelo químico polonês naturalizado americano Roald Hoffman, o texto oferecia a encenação de uma peça escrita pelo cientista, "Oxigênio". Detalhe: Hoffman conquistou o Prêmio Nobel de Química em 1981 e, desde então, notabilizou-se pela divulgação da ciência por meio da arte.
"Ele soube da nossa montagem sobre Einstein e quis que encenássemos sua peça", conta Palma que, com "Einstein", ganhou o Prêmio Mambembe de 98 como melhor ator. "Além de honrosa, a oferta vem no momento certo, pois estamos iniciando o Projeto Arte e Ciência no Palco". O sucesso de "Einstein", peça sobre o cientista alemão que revolucionou a física no século 20, foi decisivo para o início do projeto. Palma, ao lado da produtora Adriana Carvi, percebeu o número crescente de convites para apresentar o espetáculo em empresas e escolas. Além disso, a receptividade comprovou o interesse por assuntos científicos.
O projeto que pretende derrubar o tabu de que ciência é árida prossegue em junho, quando deve estrear Copenhagen, texto de Michael Frayn que vem sendo traduzido por Aimar Labaki, sobre um diálogo imaginário entre os pioneiros da ciência quântica Niels Bohr e Werner Heisenberg, que retrata a euforia do descobrimento e as dúvidas e controvérsias do Projeto Manhattan. E o ponto alto deverá vir no próximo ano, quando "Oxigênio", que Roald Hoffman escreveu com Carl Djerassi, será encenada simultaneamente em vários países.
"Em 2001, comemora-se o centenário do Prêmio Nobel, assim a peça vai alternar acontecimentos entre 1777 e 2001", explica Palma. "O ponto principal será a discussão da ética, a partir das descobertas de Lavoisier". O francês Antoine Lavoisier foi um sujeito estranho. Pai da química moderna, criou culto à própria personalidade por um motivo justo: enquanto a maioria dos cientistas da época (século 18) acreditava que o ar servia apenas para unir as partículas da matéria, Lavoisier acompanhou experimentos de outros químicos (como Priestley e Scheele) para detonar o que consideraria "a revolução na química e na física", ou seja, que a natureza do ar é múltipla e que uma parte desse mesmo ar está necessariamente envolvida em todos os processos de combustão. Serviço - "Da Vinci Pintando o Sete". Texto de Francisco Alves. Direção de Carlos Palma. Sábado e domingo, às 16 horas. R$ 12,00. Teatro Ruth Escobar - Sala Dina Sfat. Rua dos Ingleses
209, tel. 289-2358 "Einstein - Um Ato de Gabriel Emanuel". Drama. De Gabriel Emanuel. Adaptação e direção de Sylvio Zilber. Dur. 70 minutos. Sexta, às 21 horas; sábado, às 19 horas; domingo, às 17 horas. R$ 15,00. Teatro Ruth Escobar - Sala Míriam Muniz. Rua dos Ingleses, 209, tel. 289-2358. Até 28/5


