DivulgaçãoOs dois auto-exilados cantam, dançam as novas coreografias para o folclórico ‘‘Copérnico’’ e lembram os bons tempos da terra natalDA SBÓRNIA PARA CURITIBA
Nico Nicolaiewsky e Hique Gomez trazem à cidade a dupla Kraunus e Pletskaya para cantar e contar coisas da Sbórnia
Simone Mattos
Kraunus e Pletskaya são dois auto-exilados da Sbórnia, que estão há 15 anos no Brasil divulgando o lixo cultural de seu país de origem. Nico Nicolaiewsky e Hique Gomez são músicos gaúchos que, desde 1984, percorrem cidades brasileiras e argentinas com os engraçadíssimos e inusitados shows de Tangos e Tragédias. Personagens e artistas se confundem, mas isto não faz a menor diferença. A dupla, que já foi aplaudida por mais de 500 mil pessoas, está de volta. Da Sbórnia para Curitiba.
As apresentações acontecem hoje, amanhã e domingo, no Teatro Fernanda Montenegro, e vão se repetir na próxima semana, podendo prolongar-se por mais tempo. Para quem já assitiu a dupla, sabe que a sua história é triste e cômica. ‘‘Somos dois auto-exilados’’, diz Nico.
Os músicos abandonaram a Sbórnia depois que o país foi invadido por tribos hostis. Entre elas estavam os ‘‘Menudos’’ e o saudoso Vicente Celestino. ‘‘Na Sbórnia, aguarda-se com expectativa a bunda da Carla Perez, mas ela está retida na alfândega por excesso de peso’’, brincam.
Desta grande lixeira sborniana, Kraunus e Pletskaya recolhem materiais antigos e recentes. O lixo é reciclado e transformado em repertório para os espetáculos Tangos e Tragédias. ‘‘Há 15 anos, o espetáculo está andando, como nós, e se modificando’’, explica. O sborniano arrisca, em inglês, descrever o trabalho da dupla: ‘‘Fazemos o working progress, isso não é chique?’’
No palco, durante 1h30, os auto-exilados teatralizam canções de Celestino, Alvarenga & Ranchinho e vários clássicos sbornianos, como ‘‘Tango da Mãe’’, ‘‘A Trágica Paixão de Marcelo por Roberta’’, ‘‘Em Busca da Verdadeira Maionese’’ e ‘‘Romance de Uma Caveira’’.
Além das músicas, o espetáculo inclui textos, conversas e a dança mais famosa do folclore da Sbórnia, o ‘‘Copérnico’’, com coreografias inéditas. ‘‘Nós interagimos com o público, sempre abusando da teatralidade’’, afirma o músico. O importante para eles é discutir sempre temas ‘‘atuais e eternos’’, como a alegria, o amor, a morte e o desespero.
Nico, que atuava como pianista da banda gaúcha Saracura, de MPB, conta que o ‘‘Tangos e Tragédias’’ começou motivado pelas dificuldades que seu grupo enfrentava para viajar para outras cidades. ‘‘Precisávamos de algo itinerante, por isso troquei o piano pelo acordeón e saímos para a estrada’’. O nome do país, Sbórnia, surgiu por acaso, sem que a dupla soubesse que o termo significa ‘‘sair para a farra’’, em italiano.
As apresentações do espetáculo Tangos e Tragédias acontecem nos dias 9 e 10 de abril, às 21h, e no dia 11, às 19h, no Teatro Fernanda Montenegro (Shopping Novo Batel). Maiores informações pelo fone (041) 224-4986.

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