Da sala de aula para o palco
O Projeto Delírio nasceu de maneira inusitada. O ano era 88. Daniel Loureiro, então com 13 anos, ouvira falar que o seu professor Dilson Catarino tinha algumas poesias interessantes. Após muita insistência, o professor aceitou declamar alguns de seus versos em sala de aula. Um dos poemas era Delírio. Esse poema, para mim, soou como uma sequência de imagens familiares. Foi um jorro de informações - lembra ele.
O entusiasmo foi tanto que Daniel resolveu musicar o poema, que chegou a ser mostrado em algumas apresentações que ele fez com uma banda que tinha na época. Dilson Catarino, até então, não havia ouvido. A primeira audição aconteceu em 94 quando ele convidou Daniel para executá-lo durante o lançamento de seu livro de poesia O Dono do Manto da Insônia. O professor-poeta gostou tanto que, juntos, fizeram planos de fazer um projeto maior.
Os planos foram engavetados até que em 96 Daniel e os demais integrantes do Iguaranoise - Jullian Joyner (vocal), Eduardo Brancalion (guitarra), Marcelo Barros (bateria), Alessandro Moure (contrabaixo), Alexandre Tim Magno (trombone), Arthur Fernandes e Roberto Karpinsky (trompetes) - resolveram musicar os poemas de Dilson Catarino. Nascia, finalmente, o Projeto Delírio.
A primeira execução pública do trabalho aconteceu em junho, no Bar Valentino, e teve uma boa acolhida de público e também de algumas pessoas respeitadas no meio musical, como a musicista Janete El Haouli. Com a música acho que conseguimos diminuir a aspereza das palavras e sublinhar as sensações que as poesias evocam- diz Daniel. Não é apenas um fundo musical mas, sim, uma tentativa de aproximar o universo sonoro com o universo poético- completa Jullian Joyner. (A.M.J.)





