Vivian de Albuquerque
De Curitiba
Joivinlle será a primeira cidade da América Latina a contar com uma escola do Balé Bolshoi. Convênio foi assinado na abertura do 17º Festival de Dança, na terça-feira
Ao lado da concorrida apresentação da peça ‘‘Giselle’’, executada pelo Corpo de Ballet do Teatro Municipal do Rio, a assinatura de um convênio com o Ballet Bolshoi, da Rússia, marcou na última terça-feira a abertura do 17º Festival de Dança de Joinville. Assinado pela primeira bailarina do grupo e coreógrafa do Instituto de Artes Cênicas de Moscou, Alla Mikhalchenko, o acordo, feito com a Prefeitura Municipal, vai instalar na cidade catarinense a terceira escola do Bolshoi no exterior, e a primeira da América Latina.
‘‘Em julho de 96, tive a honra de dizer ao público e aos participantes do festival que no máximo em um ano depois estaríamos deixando o Teatro Ivan Rodrigues, e passando para uma nova casa’’, relembrou o prefeito Luiz Henrique da Silveira, em seu discurso de abertura. ‘‘E aqui está ela, o Centreventos Cau Hansen. Agora, a novidade é este convênio. A partir deste festival, bailarinos e bailarinas do Brasil e do Mercosul vão poder fazer as suas inscrições no escritório do Ballet Bolshoi aqui mesmo, em Joinville’’.
Pelo o acordo, as aulas deverão começar em março do ano que vem. Mas a seleção dos novos alunos, iniciantes ou já iniciados na arte da dança, será realizada até o final deste ano, no próprio Centreventos. Aliás, um dos motivos que fez com que a escola se instalasse em Santa Catarina - a existência de uma das melhores infra-estruturas do país para a realização de shows, workshops e aulas de dança.
As inscrições são abertas para alunos de todas as idades. E o projeto tem também um lado social, que está sendo muito valorizado pelos russos: a reserva de um percentual das vagas para jovens pobres da cidade. Eles poderão participar gratuitamente do curso ministrado pelos professores vindos da Rússia, exclusivamente para o convênio.
A formação dos bailarinos seguirá as mesmas diretrizes da escola russa, que hoje forma os melhores dançarinos do mundo. A estimativa inicial é de formar 300 bailarinos em dez anos.
Além da casa cheia e da notícia da instalação do Bolshoi em Joinville, outras surpresas também marcaram a noite de abertura do festival. Para homenagear a cidade e a sua mulher, a bailarina joinvilense Andréia Keller, o intérprete da Broadway Jeff Keller cantou o tema da peça em que é protagonista há vários anos,‘‘O Fantasma da Ópera’’.
A música ‘‘The Music of the Nights’’ emocionou a platéia, que aplaudiu de pé e só não pediu bis por causa da próxima atração do programa: a apresentação dos bailarinos Ana Botafogo e Marcelo Misailidis. Com cenário, sonorização e iluminação impecáveis, a peça, que dura cerca de duas horas, trouxe pela primeira vez ao festival uma obra completa, mostrando o porquê de tanto sucesso do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, mesmo depois de 90 anos de existência.
‘‘Isso acontece porque Giselle é sempre atual’’, explicou Ana Botafogo. ‘‘É uma peça que fala de amor, que pode enlouquecer, ficar insano. E eu acho que sempre haverá espaço para isso, mesmo depois do ano 2000. Nós, do Teatro Municipal, sempre temos que resgatar essa coisa antiga dos balés de repertório, para que as novas gerações conheçam os grandes clássicos’’.
A jornalista Vivian de Albuquerque viajou a Joinville a convite da organização do 17º festival de Dança

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