Da Jovem Guarda à música sertaneja
Sérgio Reis se firmou junto ao público na Jovem Guarda, gravando 86 músicas nesse gênero musical. Coração de Papel foi um grande êxito, em 1967. Mas não foi somente no iê-iê-iê que o paulista Sérgio Basini solidificou seu nome. Em 1972, subiu mais um degrau da fama com ajuda de O Menino da Gaita, sendo o primeiro artista sertanejo a tocar em uma emissora FM. E foi pelas mãos de outro menino que a porteira do sucesso foi definitivamente aberta.
O cantor relembra sua entrada sorrateira pela música sertaneja. Num baile em Tupassiguara (MG), em 1974, ouviu um conjunto local cantar a música O Menino da Porteira. O público vibrou. Logo, foi incluída em seus shows. Essa música não acaba, resume.O Menino da Porteira ganhou versão cinematográfica em 1976, com direção de Jeremias Moreira Filho. Um estouro de público, na época.
Em 1974, em Goiânia, durante um show na Boate Cafona, um fã pediu que cantasse João-de-Barro. Sérgio correu Goiânia atrás de uma loja de discos (cujo dono era o então desconhecido Amado Batista), ensaiou João-de-Barro e abocanhou mais um sucesso. A partir daí, seu trabalho seguiu o leito do rio sertanejo, homenageando cada estado brasileiro com uma música. Nesse LP constam Coração de Luto, Pingo dágua, Mágoa de Boiadeiro e Chalana. Logo a seguir, outra música leva o público às salas de cinema, Mágoa de Boiadeiro, dirigido por Venceslau Silva. Deni Cavalcanti, em 1983, dirigiu seu terceiro filme Filho Adotivo. Dessa música, o cantor relembra um caso na família nos mesmos moldes. Na velhice, seus padrinhos tio Didi e a tia Rosa foram acolhidos pela filha adotiva, Dulce, enquanto que o filho de sangue não ligava para os pais.
O personagem peão-violeiro, protagonista de seus filmes, ganhou as telinhas da TV Globo em 1982, com a participação de Sérgio Reis na novela Paraíso. O retorno à TV foi nos braços do Ibope com Pantanal, formando dupla com Almir Sater, com quem compôs em 1980 o sucesso Peão de Boiadeiro. Ainda em 1996, voltou a participar de outro sucesso ao lado de Sater, O Rei do Gado, de Benedito Ruy Barbosa.
Das 380 músicas com sua assinatura, alguns sucessos resistem ao tempo. O fervoroso devoto de São Judas Tadeu avalia esse fenômeno, talvez, porque as histórias narradas nessas músicas colocam um cinema na cabeça das pessoas. (F.F.)





