São Paulo - O nome dela é Maria Lúcia. É viciada em sexo virtual, vodka, literatura e miojo. Sua vida particular é um desastre. A virtual, porém, é um sucesso. Criada pelo jornalista e escritor pernambucano Lula Falcão, 54 anos, Maria Lúcia ganhou vida própria. Seus devaneios foram acompanhados pelos seguidores de Lula no Twitter e em seu blog: lulafalcao.blogspot.com. A repercussão foi tanta que a personagem ganhou o papel e deixou a vida virtual para habitar as páginas do livro ''Todo Dia Me Atiro do Térreo #Tuiteira'', que acaba de ser lançado pela editora Bookess.
''Criei a personagem baseado em alguns perfis que via no Twitter e outras redes sociais. Diria que 90% das situações no livro são ficções e deliberadamente exageradas'', diz o autor. Os textos do livro são escritos em formato de pequenas pílulas (ou seriam posts?), recriando a forma como eles seriam publicados na internet. Esses posts saem diretamente da quitinete onde Maria Lúcia passa a maior parte de seus dias. Os textos falam sobre tudo, principalmente sobre ela mesma, que conta as desventuras para escrever um livro ou roteiro. Fora de lá, sua vida é um desastre. ''Os casos amorosos são um fracasso. Assim como as tentativas dela de escrever um livro'', diz Lula. ''Fiquei uns seis meses publicando semanalmente posts no Twitter e no meu blog. Depois, reuni tudo, reescrevi algumas coisas e lançamos o livro'', conta.
A obra tem prefácio da roteirista e escritora Adriana Falcão e texto da orelha do jornalista Xico Sá. Neles, os escritores exaltam o humor negro e a forma que a personagem Maria Lúcia encara a vida. ''Prefiro morrer de vodka do que de tédio. Taí um belo post, com apenas 39 caracteres, do kamarada @Maiakovski. @MariaLucia retuitaria de imediato. Antes de mais um comprimido de tarja preta'', escreve Xico Sá. Lula Falcão já atuou como repórter da revista ''Veja'' e no jornal ''O Estado de S.Paulo''. Hoje, trabalha com comunicação corporativa. ''É isso que me possibilita dedicar-me à literatura.''.
O autor fala da sua personagem como se ela fosse real. ''Maria Lúcia tem uma cultura que adquiriu por osmose, frequentando círculos de intelectuais. Mas o que ela quer é curtir a vida'', explica. Numa das passagens do livro, Maria Lúcia conta como escreveria suas memórias: '''Todo Dia me atiro do térreo' é o nome do meu livro de memórias. Pelo menos, das partes que me lembro. Minha infância, por exemplo, estava num pen drive. Perdi. A adolescência foi passada entre quatro paredes. Inventei uma'', diz a moça.

mockup