Da imitação à criação
A capacidade de transformar imagens em obras de arte já nasceu com Ricardo Laranjo Quadros. Aos dez anos de idade ele já definia seu estilo. ‘‘Pintavam uma cruz na igreja matriz da minha cidade. Eu vi, gostei do desenho e resolvi copiar, sem saber de quem era’’, recorda. Muito depois, descobriu que o desenho era o ‘‘Cristo de São João da Cruz’’, de Salvador Dali, que ele guarda até hoje.
O garoto de Santo Antônio da Platina, Norte Pioneiro do Estado, só frequentou aulas de pintura aos 14 anos, num curso muito rápido. ‘‘Pintei um quadro sobre a história de Jó e a única coisa que percebi é que precisava aprender mais sobre a tonalidade da pele. Foi aí que entrei numa escola da cidade. Fiz quatro aulas, aprendi o que queria e fui embora’’, se diverte.
Um mês de aulas foi suficiente para Ricardo. Aos 15 anos, ele já reproduzia com perfeição quadros de pintores famosos como Caravaggio, Monet, Michelângelo e Dali. ‘‘Eu vendia cópias das obras desses pintores. Um dia, fui a São Paulo para tentar negociar uma reprodução da ‘Sagrada Família’, do Michelângelo, que eu havia feito em tamanho original. Trabalhei 54 dias, oito horas por dia, para terminá-la. O dono de um antiquário ficou tão impressionado com o trabalho que me propôs entrar no mercado de falsificação de quadros. Era para ganhar muito dinheiro. Mas eu não quis’’, revela. Depois da empreitada que não lhe rendeu lucro e nem sucesso, Ricardo decidiu parar de plagiar e preferiu se dedicar à criação de suas próprias pinturas. (A.C.)

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