Da favela aos Stones e, quem sabe, ao Oscar 2006...
Um ''presentaço'' é como os componentes do AfroReggae classificam o convite para abrir o show que os Rolling Stones farão no dia 18 de fevereiro, nas areias da praia de Copacabana. A performance passará pelo crivo de um público estimado em mais de um milhão de pessoas. A participação culmina com o fim das atividades referentes à comemoração dos 13 anos de atuação da banda. ''A expectativa é grande e só podemos dizer que estamos felizes. Esperamos ter contato com eles (Rolling Stones)'', diz Anderson ''Dáda'' Elias. Para realmente começar o ano com tudo, falta somente ganhar outro grande presente: a indicação de ''Favela Rising'', dos diretores norte-americanos Jeff Zimbalista e Matt Mochary, a uma vaga das cinco vagas oferecidas pelo Oscar 2006 na categoria melhor documentário. O resultado será conhecido dia 31 de janeiro. O filme tem como personagem principal o vocalista Anderson Sá, o Ando, e já foi premiado no Festival de Tribeca (em Nova York) e da Associação Internacional de Documentários. ''Estamos na maior torcida'', informa Dáda.
Há mais o que comemorar: no dia 2 de março deverá ser lançado um CD pela Anistia Internacional, em parceria com Yoko Ono, destinado a uma campanha pelo desarmamento mundial. O álbum traz 14 convidados relendo ''Imagine'', de John Lennon. O AfroReggae é o único representante da América Latina.
É, o AfroReggae está na mídia. Aliás, sempre esteve. Desde que surgiu como um ''conceito'' extraído do massacre policial na favela de Vigário Geral, em 1993, que arriou 21 vidas, num dos episódios mais covardes e repugnantes cometidos em solo brasileiro. Em vez de resignação, gente do bem ofereceu àquela comunidade mecanismos de defesa humanos e críveis. Em vez de caridade, alternativas viáveis de socialização aos jovens marcados pela barbárie. Dessas ações de inserção social, nasceu das cinzas a banda Afroreggae, segmento musical e mais visível do Grupo Cultural Afro Reggae. Atualmente, são desenvolvidos 61 projetos em diversas áreas (música, teatro, informática, etc) levados a nove regiões do Rio de Janeiro ao todo, duas mil pessoas são atingidas diretamemte e outras 50 mil indiretamente através do projeto intinerante ''Conexões Urbanas''.
A banda AfroReggae já se projetou mundialmente. Até agora são seis turnês internacionais a primeira foi em 1998 que levantaram platéias da Itália, França, Alemanha, Londres Canadá, Estados Unidos, só para citar alguns países. Os dez músicos da banda embarcam no dia 19 de fevereiro para Londres rumo ao palco do Barbican Centre em junho ou julho voltam para outra batelada de shows pela Europa.
No Brasil, o pessoal cai na estrada em abril, mesmo mês em que será lançado o DVD que conta com a direção luxuosa de Cacá Diegues. O filme traz o registro do show ocorrido em novembro do ano passado, no Circo Voador, no Rio, e tem participações e depoimentos de Caetano Veloso e Regina Casé (os padrinhos da banda), além de O Rappa, Gabriel o Pensador, entre outros ilustres um documentário sobre a história do AfroReggae está incluído no projeto, que poderá chegar às telas de cinema. ''Tudo isso é uma consequência natural porque a gente evoluiu muito nesses 13 anos'', constata Dáda. ®MDNM¯O AfroReggae vai longe!(A.M.J.)





