Da corte portuguesa ao interior caipira

Paulo Polzonoff Jr.
De Curitiba
Especial para a Folha

A Farsa de Inês Pereira, a obra-prima do maior dramaturgo da língua portuguesa, Gil Vicente, volta em cartaz no Teatro Bom Jesus, nos dias 10, 11 e 12, sempre às 19h. Numa tentativa de adaptar a obra secular do autor português, Ivam Cabral transpõe a história, que originalmente se passa na corte portuguesa do século XVI, para o universo caipira do interior do Brasil.
O espetáculo conta a história de Inês, um jovem ingênua que sonha com um marido culto, inteligente, educado e romântico. Para ela o dinheiro não importa. Cercada por pretendentes que não se encaixam em seus padrões, primeiro Inês desdenha de um homem rico para se apaixonar por um homem galante porém rude ao ponto de mantê-la em cativeiro.
Gil Vincente, ao narrar a farsa de Inês e seus desejos incompatíveis com a realidade da época, faz críticas severas à condição feminina na sociedade, à religião e à falida instituição do casamento.
Nascido por volta de 1465, Gil Vicente é considerado o Shakespeare da língua portuguesa. A Farsa de Inês Pereira é tida como sua obra-prima. A peça, escrita em 1523, foi baseada na expressão mais quero um asno que me carregue que cavalo que me derrube.
A Farsa de Inês Pereira. Dias 10, 11 e 12, no Teatro Bom Jesus (R. 24 de Maio, 135). Às 19h. Ingressos a R$3,00. Estudantes e classe R$1,00.

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