Em “Uma Família Normal”, o advogado Jae-wan (Sul Kyung-gu), é contratado para defender um homem que, durante uma briga de trânsito, matou outro homem com seu carro e feriu gravemente a filha dele. Em estado grave, ela é uma das pacientes que o irmão de Jae-wan, o pediatra Jae-gyu (Jang Dong-gun), está tratando no hospital.

Por sua vez, as esposas dos irmãos, Yeon-kyung (Kim Hee-ae) e Ji-Su (Claudia Kim), não se dão bem; e pior de tudo, seus dois filhos podem ser culpados de um crime que foi registrado na rua em câmeras de vídeo. Com 1 hora e 56 minutos de duração, "Uma Família Normal” está em exibição no Ouro Verde até quarta-feira (14).

O diretor Hur Jin-ho e seus corroteiristas, Park Eun-kyo e Park Jun-seok, criaram um thriller policial-psicológico-social fascinante, tenso e provocador. Baseado no romance "O Jantar", de Norman Koch (anteriormentre adaptado três vezes pelo cinema), o roteiro não perde tempo e a trama arranca com o incidente de fúria ao volante.

Esse é apenas o início de uma trágica cadeia de eventos, que não serão aqui revelados ou desdobrados, mas que vão balançar o ponto de vista do espectador, isto é, mexer fundo com a maneira como você enxerga a "família normal". E também o fará se perguntar, incomodamente, sem manipulações, o que faria no lugar deles.

Os pais enfrentam dilemas morais, pois precisam descobrir o que fazer sem perder a aparência de uma "família normal". Justamente quando você pensa que Jae-gyu é um pai e uma pessoa melhor que o irmão, ele demonstra um comportamento que sugere fortemente que está longe de ser alguém correto.

Virtude irretocável da realização: texto e direção tratam e enxergam os personagens como seres humanos, frágeis, vulneráveis, culpados, vítimas. Embora o filme trabalhe com diversas reviravoltas, não se trata apenas delas; é, sim, o retrato de uma família disfuncional que aborda um material humano complexo, ao mesmo tempo em que mostra o lado sombrio da humanidade sem rodeios.

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