CVC aposta no Norte do Paraná
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de novembro de 2001
Beth Debertolis<br> De Londrina 
A maior operadora de turismo do País aposta no mercado do Norte do Paraná. Na semana passada, o diretor geral de vendas da CVC Turismo, Valter Patriani, esteve em Londrina conferindo os resultados da filial local. Patriani revelou que a filial de Londrina teve o maior crescimento este ano entre todas as filiais da CVC. ''A cidade e o Norte do Paraná representam um centro importante no mercado nacional e a prova disso é o crescimento da filial de Londrina''.
A resposta da CVC ao mercado local é a criação de vôos fretados diretos Londrina-Recife, Londrina-Fortaleza, Londrina-Natal e Londrina-Porto Seguro. Operados pela TAM, os vôos são fretados diretamente em Londrina e não fazem escalas nem conexões. ''Isso mostra que a cidade polariza uma região importante e é referência quando se trata de turismo'', disse Patriani.
A CVC ganhou a liderança do mercado nacional a partir da falência de sua principal concorrente, a Soletur. ''Houve um certo nervosismo quando foi divulgada a falência mas, numa atitude adulta e profissional, agências de viagem se uniram e garantiram mais de 3 mil viagens vendidas pela Soletur. Uma união jamais vista no mercado. Somente a TAM forneceu mais de 1,5 mil bilhetes. Isso garantiu a credibilidade do setor'', explicou.
Na opinião de Patriani, a situação da Soletur é uma questão isolada. ''O mercado turístico vai muito bem, não temos crise. O que houve foi uma aposta errada'', avalia. O erro começou em janeiro de 1999, quando houve a primeira desvalorização do real. Naquele ano, o faturamento com viagens ao exterior representava 30% na CVC e 80% na Soletur.
Hoje, este faturamento se resume a 10% na CVC, enquanto a Soletur preferiu continuar apostando no mercado internacional. O dólar continuou subindo e os brasileiros preferiram adiar as viagens internacionais, à espera de melhores momentos econômicos para conhecer outros países.
''Desde janeiro de 99 nós decidimos nos concentrar no Brasil, que é a nossa praia'', disse Patriani. Ele considera que a alta do dólar ainda é o principal motivo da queda na procura por viagens internacionais. ''O brasileiro adiou estes projetos. Ele não deixou de viajar por causa dos ataques terroristas. O brasileiro não viaja para o exterior desde 99'', analisa.
Neste cenário, Patriani prevê que a temporada de verão será ''magnífica'' para o turismo, com novos aeroportos e outros em reforma e a inauguração de hotéis e resorts em várias regiões do País. ''O Brasil é a bola da vez porque, tradicionalmente, suas praias são o destino do verão. Mesmo se não houvesse ataques terroristas ou conflito com Afeganistão, a previsão já era de uma boa temporada''.


