Cuzco - Cuzco é mesmo - como revela a tradução do quíchua Qosqo - o umbigo do mundo. Guarda vestígios inabaláveis da civilização inca, mas tem ar de colônia espanhola. Recebe todos os anos milhares de turistas dos quatro cantos do planeta, e ainda exibe o colorido do povo andino. A antiga capital do mais conhecido império pré-colombiano sempre foi ponto de encontro entre nações. E as expressões dessa miscigenação estão na rua e, principalmente, na arquitetura.
A origem da cidade está relacionada à lenda do casal mítico Manco Cópac e Mama Ocllo, que a pedido do deus Sol emerge das águas do Lago Titicaca, na Bolívia, para fundar a capital. Cuzco ganhou praças, templos e fortalezas imponentes, um esplendor que acabou com a chegada dos espanhóis, em 1533. Os colonizadores destruíram ou utilizaram as antigas estruturas como alicerce para igrejas e conventos.
A estreita Rua Hatun Rumiyoc é charmosíssima, mas virou atração turística por causa de uma única pedra. Não qualquer pedra, mas uma com 12 ângulos. Ela é parte do muro que formava um antigo palácio e prova o domínio arquitetônico dos incas - pedras cuidadosamente encaixadas são mais resistentes a terremotos.
É essa rua que leva ao pitoresco bairro de San Blas, de onde se tem a melhor vista da cidade, com os Andes de pano de fundo. Exibe ruas estreitas, velhos casarões coloniais e (adivinhem!) muros de pedra. É o bairro dos artesãos e esconde pequenos ateliês e lojas.
A vida social de Cuzco ocorre ao redor da praça. Nas casas coloridas funcionam cafés, restaurantes e bares que lotam à noite. Por ali caminham as cholas e suas lhamas, prontas para uma foto. Também vendedores ambulantes insistentes.
Cuzco convida a todos esses passeios a pé. Mas vá com calma: você está a 3.399 metros de altitude. É importante andar devagar, respirar fundo e beber chá de folha de coca para afastar o soroche (mal de altura, caracterizado por enjôo, tontura e dor de cabeça).
Ruínas nos arredores
Uma vez em Cuzco, faça o circuito arqueológico pelas ruínas que ficam nos arredores. Puca Pucara era uma construção militar. Kenko, um centro de ritual. E Tampumachay, um local de culto à água, que mostra o conjunto de aquedutos esculpidos em rocha.
Nada, porém, impressiona mais do que a arquitetura militar da fortaleza Sacsayhuamán. Erguida com blocos de granito tem três terraços superpostos e pedras de até 5 metros de altura. É ali que moradores e turistas se reúnem todo mês de junho para o Inti Raymi, a festa em homenagem ao Sol. (A.C./Agência Estado)

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