Cuscuz com toque paranaense
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quinta-feira, 22 de maio de 2014
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local 
Curitiba - A gastronomia boêmia esteve representada no evento Mesa ao Vivo Paraná por uma autoridade no assunto, a chef Janaina Rueda, proprietária do Bar da Dona Onça, um dos pontos mais conhecidos de São Paulo. A casa já foi eleita Melhor Bar pela Veja São Paulo Comer & Beber (2008-2009), também foi escolhida Bar do Ano pelo Melhores do Ano, da Revista Prazeres da Mesa em 2009, e Melhor Feijoada pela Revista Época São Paulo, em 2011.
Essa autêntica paulistana que nasceu no Brás em 1975 e cresceu no famoso bairro do Bexiga comandou uma das aulas mais concorridas do Mesa ao Vivo Paraná, que aconteceu nos dias 14 e 15 de maio, no Centro Europeu, em Curitiba. Janaina dividiu os holofotes com outros importantes chefs do cenário nacional e internacional, como Alex Atala, Thomas Troisgros, Davi Hertz e André Mifano. Foi uma espécie de ''reality show'' do jornalismo gastronômico, com a produção de uma edição da revista Prazeres da Mesa aos olhos do leitor, com aulas, degustações e performance dos chefs.
Cada chef tinha a missão de incluir pelo menos um ingrediente típico do Paraná em sua receita. Janaina escolheu incrementar com pinhão, carne de siri e palmito pupunha um delicioso cuscuz. Enquanto preparava o prato na aula show para cerca de 50 pessoas, ela contou que começou a cozinhar ainda criança. A boemia sempre fez parte do universo de Janaina, filha de uma funcionária das extintas casas noturnas Hippotamus e Gallery. A menina que cresceu perto da quadra da Escola de Samba Vai Vai conviveu com jornalistas, cozinheiros, maitres, garçons e artistas.
Ainda adolescente, trabalhou em uma panificadora. Seguiu carreira na multinacional Pernod Ricard como consultora de vinhos. Depois de se casar com o chef Jefferson Rueda, realizou o sonho de abrir o próprio bar, o Dona Onça, em 2008 - o nome é inspirado no apelido que recebeu do marido.
Para Janaina Rueda, a principal característica da comida de boteco é a facilidade e a praticidade na hora de comer, usando apenas o garfo. Bêbado não gosta de usar garfo e faca, brinca a chef. ''Eu não sigo moda, tendência. Sigo o que gosto de fazer. Obviamente eu pesquiso tendências. Mas o Bar da Dona Onça faz sucesso porque é minha alma que está lá dentro'', afirma.
O cuscuz é o ''abre-alas'' do Bar da Dona Onça. Mesmo quando dá aulas no exterior, Janaina Rueda leva um pacote de farinha de milho artesanal para o preparo do prato. ''É um ícone da cozinha brasileira, consumido de norte a sul. Assim como a feijoada e o churrasco'', lembra. ''É um prato versátil e ótimo para evitar o desperdício, pois no cuscuz você pode colocar muitos ingredientes que estão sobrando na geladeira''.
No bar, Janaina Rueda costuma fazer o cuscuz usando galinha caipira. Mas na aula em Curitiba, ela substituiu essa carne pelo siri, que é bastante consumida no litoral paranaense.
Confira as receitas aqui.


