Curta-metragem, o início de tudo
O curta-metragem desobedece a rígida disciplina do mercado. Esse formato fica restrito a festivais ou escolas, como se fosse apenas um exercício feito não propriamente para ser exibido, mas para demonstrar que seu realizador sabe fazer cinema. O sistema de exibição, as salas de cinema, as grades de programação das emissoras de televisão, o sistema de distribuição de vídeo e DVD não sabem como produzir, distribuir, exibir, nem como chamar a atenção do espectador par ao curta-metragem.
Com um formato não claramente definido, com duração entre o videoclipe o episódio de seriado, se comparado à televisão, entre o trailer e o filme de longa-metragem, se a comparação for feita como o cinema, o curta-metragem tem pouca penetração na televisão ou no cinema. Muitos cineastas brasileiros trafegam com naturalidade entre um filme longo para um curto e vice-versa.
Carlos Diegues realizou o curta ''Cinema Iris'' (1974) entre as filmagens dos longas ''Vidas Secas'' e ''El Justiceiro''. Glauber Rocha, dez anos depois de ''Terra em Transe'' realizou ''Di Cavalcanti'' (1977). Já Walter Salles, através da Petrobras, conseguiu transformar a vida da ex-detenta Socorro Nobre em documentário, em 1995. A personagem serviu de inspiração para o aclamado ''Central do Brasil'', em 1998. No vácuo da produção audiovisual brasileira, nos temíveis anos Collor, o curta-metragem foi praticamente a única forma de expressão da cinematografia do País. A retomada aconteceu com o festejado ''Carlota Joaquina'', de Carla Camurati. (F.F.)





