Para Wilson Inácio, de Cambé, um pacote de macarrão rende mais que uma macarronada e um abacaxi não serve só para fazer suco. Tudo foi mixado no argumento do curta-metragem ''Doce Suicídio'', que está na internet. Produzido com orçamento praticamente zero, o filme de 10 minutos de duração releva o outro lado da produção nacional em que a boa vontade e criatividade se tornam a solução dos que sonham em fazer cinema e vídeo no Brasil.
O curta, com realização do Ponto de Cultura Malha Cultural e Cidadania, de Cambé, exibido na rede social Ning (http://tvpontoaponto.ning.com/video/docesuicidio), levou três anos para ser finalizado com um orçamento de R$ 50. A verba cobriu as despesas de gasolina e a compra de um pacote de macarrão e um abacaxi que o protagonista, interpretado por Willian Alexandre, prepara numa das cenas.
Baseado no texto homônimo de Celso Martins, roteiro e direção de Inácio, o curta ainda tem a participação de Elen Karina Gama.
''Para realizarmos o projeto contamos com a colaboração de algumas pessoas. Além do Willian, que é um companheiro em vários trabalhos, o próprio autor de 'Doce Suicídio' nos ajudou cedendo o texto original e Elen, que é uma moradora do nosso bairro, participou sem ganhar nada. A Universidade Estadual de Londrina, através do Departamento de Artes, também nos ajudou emprestando uma câmera'', conta Inacio.
O roteiro coloca em discussão a condição humana, deixando em suspenso se o personagem principal cometeu ou não suicídio. O trabalho deve participar do circuito nacional de festivais de curtas.
Com um estilo gambiarra de realizar um sonho, Inácio tem o improviso como aliado no projeto. Sem um estúdio para gravar o áudio, o diretor realizou o trabalho de madrugada para evitar ruídos externos.
O roteiro previa a gravação de imagens externas da fachada de um prédio e do personagem principal na sacada.
Sem local para a locação, o diretor fez plantão em frente de um prédio no Calçadão de Londrina, esperando aparecer algum morador que topasse emprestar o apartamento por algumas horas.
''Ficamos sentados no Calçadão esperando alguém aparecer. Até que um rapaz saiu na sacada para jogar uma chave a um amigo. Ele foi muito gentil, cedendo o apartamento e dizendo até que poderíamos voltar para gravar mais alguma coisa se houvesse necessidade. Apesar da colaboração das pessoas, é difícil realizar um trabalho nessas condições'', destaca Inácio.
O diretor afirma que produções como ''Doce Suicídio'' , vão na contramão da tecnologia que, atualmente, torna acessível e baixa os custos da realização dos projetos cinematográficos.
''No nosso caso, trabalhar com baixos recursos e equipamentos improvisados também faz parte da uma estética que pretende andar na contramão'', acrescenta Inácio. E embora falte dinheiro, reconhecimento não falta. Um outro trabalho de Inácio, ''O Tempo'', participou da mostra ''1000 Minutos de 80 Países'' exibida no Masp.

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