Exibido na edição de 2025 do Cannes 7th Art Awards, o curta-metragem "The Painter", dirigido e composto pelo londrinense Waltther Neto, foi vencedor de dois prêmios no festival internacional , nas categorias Melhor Composição de Filme Experimental e Prêmio do Público.

Movida pelos sentimentos da música, a história acompanha o desenvolvimento de um quadro pelas mãos da artista plástica Fernanda Rodante e como a obra - ainda em branco - vai aos poucos tomando forma por meio da fluidez dos sentimentos, enquanto a pintora é catapultada pela emoção evocada da música composta por Waltther Neto.

"Ele narra, basicamente, o processo da criação de uma obra de arte por um pintor. Por isso que tem esse nome, 'The Painter'. Usei uma artista plástica [de verdade], que é a Fernanda Rodante, para pintar esse quadro", explicou.

"Escrevi um roteiro, mas não tem diálogo, não tem nada [roteirizado]. É algo mais de intenções, em que se tem uma introdução que contextualiza a ação. Ela é narrada e escrita em inglês pelo ator americano Michael Stone, irmão de Sharon Stone. Somos amigos há tempos, ele tem uma voz maravilhosa", continuou o diretor, destacando detalhes do processo de produção.

Contando sobre os bastidores do curta, Neto detalhou como foi feita a composição vencedora e o tempo necessário pela artista para finalizar o quadro.

"[A ideia é], justamente, [entender] como um artista se encontra em frente à sua tela em branco. Dali ela vai tirar algo que seja arte. Para essa sequência foi feita uma composição de piano, cello e clarinete, ou seja, um trio, que inspira a artista a pintar. Ela [a artista] foi para o nosso estúdio, já tinha escutado a música, e durante seis horas ficou lá, pintando. O curta é um resumo desse tempo, quando ela usou para criar essa obra, que são seus sentimentos. Ela não sabia o que iria fazer. Enquanto nascia, íamos gravando", detalhou.

MÚSICA GUIANDO A PINTURA

Imagem ilustrativa da imagem Curta dirigido por londrinense ganha prêmios em Cannes

Protagonista do curta, Fernanda Rodante contou, em entrevista à FOLHA, como foi colaborar com o londrinense e a relação com sua música.

"O Waltther é um compositor incrível e maravilhoso. Ele me mostrou a composição e me pediu para ser a artista pintando ao fundo. Levei meus materiais - cavalete, tela e outros - e ficamos lá a tarde inteira. Fiz em uma tacada só. A princípio, pensei como um filme, contar uma história dentro do quadro, isso porque ele [Waltther] permite sugestões. Aproveitei para dar margem para interpretações no resultado final", pontuou.

A artista paulista salientou que a música lhe trouxe "certa melancolia", por ser muito "introspectiva", propondo um paralelo com a arte de pintar.

"Pintar um quadro em branco começa com uma certa angústia, ver que ela não tem nada e, ao mesmo tempo, tem tudo. Escolher o que vai ser colocado, principalmente no início da carreira, era algo muito difícil. Hoje, com 30 anos de história, vejo que é uma história muito longa e feliz, que só tenho a agradecer", disse a artista.

A CARREIRA

Nascido em Londrina, Waltther Neto viveu na cidade até seus 20 anos, quando deixou a terra vermelha para estudar música em São Paulo (SP). Formado em Composição, Regência, Orquestração e Arranjo, Neto se especializou na escrita musical e, na prática, com o piano.

Entre o final da década de 1980 e 1990, o londrinense finalizava seus estudos na arte da música e encontrava uma nova paixão no audiovisual. Especializado na direção de fotografia, engenharia de áudio, iluminação e roteiro, o londrinense uniu suas paixões para produção de conteúdos na sétima arte. (*Sob supervisão de Bruno Souza)

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