Quem nunca ouviu ou contou história alguma vez na vida? Pode ser da Branca de Neve, dos Três Porquinhos ou até mesmo aquela história que sua avó inventou para que você dormisse. E toda história, quando bem contada, fica registrada para sempre na memória.
A Associação dos Deficientes Visuais de Londrina, Rolândia e Cambé promove o curso ''A Arte de Contar Histórias'', que tem início hoje e segue até amanhã.
''Serão trabalhadas as várias possibilidades de histórias, sejam elas da cultura oral (conto popular), os contos clássicos (conto de fadas ) e histórias sensitivas (com o apoio de todos os sentidos, além do olhar )'', explicou Denise Gentil, uma das organizadoras do evento.
Se até algum tempo atrás o público-alvo para um curso de contação de histórias era integrado por professores e educadores, hoje, a procura por pais, mães e até mesmo crianças ganhou espaço.
Segundo Denise, é bastante comum a impressão equivocada de que, para se contar uma história, é necessário buscar um conto clássico. ''Cada pessoa tem sua cultura, sua vivência. Uma história não precisa ser algo externo, mas pode ser trabalhada com seu próprio conteúdo'', justificou.
O módulo sobre cultura oral (''A Oralidade e o Papel do Contador de Histórias'') será ministrado por Daina Bragueto Martins hoje, com exemplos de diferentes gêneros literários, que adentram num universo de cantigas, lendas, mitos, piadas, fábulas, causos, contos populares, entre outros. ''Através da oralidade somos capazes de interpretar o mundo ao nosso redor despertando uma capacidade criativa e o prazer lúdico'', acrescentou a organizadora.
Amanhã, a dinâmica fica por conta de Pati & Companhia, com a Oficina de Histórias Sensitivas. ''Geralmente as histórias são contadas com o auxílio de lenços ou bonecos. Isso não é viável para o deficiente visual. Então os outros sentidos serão despertados na contação de história''
Ainda no sábado, os contos clássicos serão abordados por Sueli Bortolin e Silvia Bortolin Borges. De acordo com Denise, os contos de fadas atuam em diversas dimensões e versam sobre a realidade simbólica, fornecendo diferentes possibilidades de leitura e compreensão. ''As histórias são marcadas pelo encantamento e são atemporais. Ao contar, você cria subsídios para que os ouvintes construam sua própria fantasia'', disse. A organizadora cita o autor Bruno Betteheim (''A psicanálise dos contos de fadas'') em que o aspecto emocional contido nos contos clássicos para as crianças é visivelmente trabalhado, além dos aspectos cognitivos e intelectuais. ''Ao longo de nossa vida entraremos em contato com diferentes sentimentos: amor, raiva, medo, paixão, inveja. As histórias trazem consigo uma oportunidade para trabalhar estes sentimentos, promovendo uma vivência e propiciando a reflexão sobre o agir e o reagir perante nossas emoções e conflitos'', finalizou.

Serviço:
- Curso A Arte de Contar histórias. ''A Oralidade e o Papel do Contador de Histórias'', com Daina Bragueto Martins, hoje, das 19 às 22 horas. ''Oficina de Histórias Sensitivas'', com Pati & Companhia, amanhã, das 9 às 12 horas. ''Contos Clássicos'', com Sueli Bortolin e Silvia Bortolin Borges, amanhã, das 14 às 17 horas. Na Escola Apoena - Berçário e Educação infantil (Rua Souza Naves 1739). Inscrições gratuitas antecipadas, com vagas limitadas. Informações pelo telefone (43) 3325-6981.

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