Curitiba - Se você é do tipo que não se apega a coisas materiais e não confere valor emocional a objetos, certamente não vai se incomodar ao encontrar aquela cabeça de boneca de porcelana no armário de quinquilharias da casa. Nesse caso, a boneca que pertenceu a sua avó ou quem sabe a sua bisavó pode não ter nenhuma importância. Mas isso apenas para os mais desapegados. Bonecas antigas chegam a alcançar o topo da lista preferida dos colecionadores e podem ganhar um valor inestimável se suas características originais forem recuperadas.
  No Brasil, a arte de restaurar bonecas começa a ganhar adeptos, tanto para os interessados em restauração quanto para quem quer ver como nova a velha boneca que encontrou em casa, mas não sabe quem procurar para fazer o serviço. É esse tipo de público que a restauradora Regina Romero, de 44 anos, quer atingir na primeira oficina que ministra sobre o tema. A oficina começa hoje, no Museu Paranaense, em Curitiba.
  No curso, Regina vai abordar desde a identificação de peças (de bonecas importadas e nacionais) até técnicas apropriadas de restauração, conservação e limpeza da pintura e dos trajes. Recuperação de pequenos (e grandes) estragos e guarda apropriada do objeto também são assuntos incluídos no curso.
  Essa é a primeira vez que Regina, que há mais de 20 anos trabalha com a recuperação de bonecas, repassa o que aprendeu nos livros e na prática. O convite para o curso partiu do próprio Museu Paranaense. ‘‘É um reconhecimento para mim’’, diz a restauradora.
  Ela começou a confeccionar e restaurar bonecas quando a primeira filha nasceu, há 23 anos, para complementar a renda familiar. O que era para ser uma atividade secundária tomou conta da sua vida. ‘‘Ninguém ganha dinheiro recuperando bonecas. Você acaba fazendo o trabalho por amor’’, conta. Regina perdeu a conta de quantas bonecas, estrangeiras e nacionais, já recuperou, mas contabiliza centenas de pedidos por ano.
  A dificuldade para concluir o trabalho varia de objeto para objeto. ‘‘Depende do estado que a boneca está e do que o cliente quer’’, explica. Algumas bonecas precisam ganhar novas peças, muitas inexistentes no mercado e que precisam ser recriadas por moldes. ‘‘Faço de tudo para deixar a boneca com as características originais, mas às vezes os próprios clientes não querem isso’’, diz Regina.
  Nesse caso, é provável que os clientes não sejam colecionadores, já que uma das características dessa arte é manter a originalidade do produto, não importa quantos anos ele tenha. ‘‘Eu já recuperei boneca com mais de 100 anos’’, diz a restauradora. Um caso que chamou a atenção de Regina, entre os tantos que ela atendeu, foi a recuperação de uma boneca que tinha uma placa constando as gerações que o brinquedo já tinha atravessado.
  Para recuperar objeto semelhante é preciso muita pesquisa, principalmente dos materiais utilizados na restauração. Isso porque não existe um padrão. As porcelanas, por exemplo, pedem um tipo de técnica, assim como as bonecas confecionadas com madeira e massa de serragem exigem outro tipo de atenção. ‘‘As mais difíceis de recuperar são aquelas feitas de celulóide, porque é um material mole e difícil de reconstituir’’, esclarece.
  Mas para Regina não existe pré-requisito para restaurar uma boneca. ‘‘Não importa o estado em que a boneca está, ela sempre vai poder ser recuperada’’, conclui. O custo da restauração pode variar de R$ 50,00 até R$ 700,00 ou mesmo ultrapassar esse valor, dependendo do trabalho. Pode ser ruim para o bolso, mas faz muito bem ao coração.

SERVIÇO
n Curso de Restauro e Conservação de Bonecas Antigas. De hoje a sexta-feira, das 18h30 às 22h30, no Museu Paranaense. Informações sobre o curso pelo telefone (41) 304 3300 e sobre restauração de bonecas (41) 30221193 e (41) 30247780, com Regina Romero.

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